inconfundível gail

Preciso dizer o nome desse xale? Mal deitar os olhos nessas belas folhas, o coração grita: é o inconfundível Gail (aka Nightsongs)! Desde que a receita foi lançada, milhares de pessoas são atraídas por sua beleza, tal qual canto de sereia que encanta marinheiros e piratas!

Xale Gail

Lendo os depoimentos no Ravelry das pessoas que tricotaram esse xale não pude deixar de perceber que tricotá-lo desperta todo tipo de reação, sempre apaixonada. Os relatos vão desde a enorme satisfação ao ver a renda formar-se tão majestosa à frustração daqueles que tiveram problemas ao tecê-lo.

Xale Gail

Curioso também como muitos usaram artimanhas para possuí-lo, criaram “versões” apenas para chamar de seu a receita desse xale cuja renda os havia encantado. E surgiram até mesmo versões de versões.

Mas a questão é que o mundo inteiro reconhece a exuberância dessas folhas, o mundo inteiro sabe que o xale Gail (aka Nightsongs) foi criado pela Mawelucky/Jane Araújo, que coleciona histórias e mais histórias de sua obra-prima.

Xale Gail

Entre tantos projetos inacabados, mal pude esperar para montar os pontos dessa lindeza. Minha vontade era de me dedicar exclusivamente a tricotar esse xale. Tive de me policiar senão abandonava todos os projetos iniciados, os quais eu tinha de terminar pois os bebês crescem muito rápido! Por esse motivo terminá-lo levou muito mais tempo do que seria esperado.

Depois de tricotar a primeira repetição do gráfico, segui repetindo as linhas 23 a 38. Usei apenas um dos gráficos para tricotar ambos lados do xale, o “Gráfico 1 – Lado esquerdo”. Para o corpo do xale, tricotei seis repetições do gráfico.

Xale Gail

marcadores de pontos
Adoro o fato desse xale não apresentar espinha dorsal. Por isso devemos trabalhar uma laçada dupla bem no meio do xale. Foi nesse ponto que coloquei um marcador de ponto vermelho. Os demais marcadores de pontos (nas cores azul, verde e preto) foram colocados nos quadrados em branco do gráfico, que separam os pontos da parte clara dos pontos da parte acinzentada do gráfico.

Xale Gail

Cometi pouquíssimos erros. A única vez que precisei desmanchar, já estava na terceira carreira da borda do xale quando percebi que havia trabalhado laçada dupla no ponto central da primeira carreira. Refiz a primeira carreira trabalhando uma laçada simples.

Arrematei usando o arremate incrivelmente elástico da Jeny, que também é incrivelmente simples de fazer! A Cat Bordhi fez um vídeo excelente ensinando esse arremate e no final ela mostra como fazer um acabamento perfeito antes de embutir as pontas. (Obs: algum tempo depois de escrever essa publicação, eu acabei fotografando um tutorial sobre esse arremate)

Sobraram apenas 6 gramas de fio.

acabamento
O tempo todo tive dúvidas se as cores mescladas do fio que escolhi iriam dificultar a visualização da renda. Mas depois que molhei e abri a renda nas mãos, o padrão saltou aos olhos! Esse fio foi adquirido no Café Tricot.

Antes de bloquear o xale em sua forma final, ele media 100 centímetros de envergadura por 50 centímetros de altura. Podemos vê-lo recém saído das agulhas, todo amassadinho na fotografia abaixo:
Xale Gail

Depois de bloquear, ele mede 156 centímetros e 70 centímetros de altura. Abaixo o mesmo detalhe da fotografia acima, bloqueado em sua forma final:
Xale Gail

Esse xale será presenteado para a minha irmã em seu aniversário. Ela é uma pessoa de altíssimo astral, calorosa, vibrante, inteligente, intensa, amiga e apaixonada.
Amo muito você, Cinara!

Receita: Gail (aka Nightsongs)* de Mawelucky/Jane Araújo
*tradução para o português (a pedido da própria designer) publicada em https://tricoemprosa.com/traducao/xale-gail-aka-nightsongs/
Fio: Malabrigo Yarn Sock na cor Velvet Grapes
Agulha: circular número 4,50mm de 100 centímetros de comprimento

Veja este projeto no Ravelry

na estrada tecendo meias-luvas

Com malas prontas para passar uma semana na casa de meus pais, sou tomada por um excesso de otimismo. Coloco na sacola de tricô: a) um casaco de criança que falta embutir os fios, costurar os bolsos e pregar os botões; b) um xale tricotado até a metade; c) 100 gramas de fio para tricotar um novo par de meias; e d) 45 gramas do fio que restou desse par de meias para tricotar um par de meias-luvas.

[tricô em prosa.com] meias-luvas fallberry

A sacola ficou cheia de boas intenções, mas minha atenção se voltou inteiramente para as meias-luvas. Me apaixonei por essa receita e há um mês venho tentando tricotá-las usando apenas 30 gramas do fio que restou desse par de meias.

Na primeira tentativa, segui à risca as instruções da receita para tricotar o tamanho maior. Na segunda tentativa encurtei o punho. Diversas tentativas depois, não importa o que eu modificasse, sempre faltava fio. Definitivamente, não daria para usar 30 gramas para tricotá-las.

[tricô em prosa.com] meias-luvas fallberry

Dada a perspectiva de passar sete horas no banco do passageiro, foi esse o projeto que escolhi para tricotar na estrada. Assim que a viagem teve início, montei os pontos usando a montagem norueguesa (também chamada de antiga montagem alemã), que cria uma borda bem elástica que gosto de usar quando tricoto meias.

Montei sete pontos a mais que a quantidade recomendada para o tamanho maior, ou seja, 56 pontos. O ponto da meia-luva é muito bonito, fácil de memorizar além de ser elástico, ele adapta-se bem ao punho e à palma da mão.

[tricô em prosa.com] meias-luvas fallberry

Nesse projeto aprendi uma técnica nova para mim, o arremate incrivelmente elástico da Jeny, que adorei! Como o arremate usual, passa-se um ponto sobre o outro, mas antes é preciso preparar cada ponto que será arrematado usando laçada inversa para o ponto meia e laçada usual para o ponto tricô. É esse preparo do ponto que atribui a alta flexibilidade da borda criada por ele.

Esse arremate é simples, rápido e não requer que o fio seja cortado. Esse vídeo excelente da Cat Bordhi ensina esse arremate e ainda mostra como fazer um acabamento perfeito no final.

Ah, sim! Depois de prontas, o par de meias-luvas pesou 40 gramas.

[tricô em prosa.com] meias-luvas fallberry

Eu nunca tive tantas peças iniciadas antes, no máximo dois projetos em andamento. Uma vantagem de ter tantos projetos iniciados é que quando aparece algum tempinho para tricotar, basta escolher um deles e mandar bala! Mas me estranha o fato de levar muito mais tempo para se terminar alguma peça.

Mas atenção, eu não estou dizendo que isso seja um problema. Agora que retornei à minha casa terei a prazeirosa missão de terminar cada um dos projetos iniciados, um de cada vez! Que alegria!

Receita: Fallberry Mitts por Anne Hanson 
Fio: Shepherd Sock Solid de Lorna’s Laces na cor Cranberry
Agulha: jogo de 5 agulhas de pontas duplas número 2,50mm / US# 2 ½

Veja este projeto no Ravelry

o primeiro xale e um agradecimento

Antes de tricotar xales eu achava que nunca usaria um. Via todos aqueles xales exuberantes, admirava-os, mas achava que eles só seriam indicados para ocasiões formais, como um casamento.

O primeiro xale que teci seria presenteado para a senhora que aluga sua sala comercial para o meu marido. Ela é muito atenciosa, sempre nos manda frutas do seu sítio, ovos frescos, pão de queijo, mexericas… Um amor! Eu queria muito tricotar um mimo bem bonito para ela e retribuir toda atenção e simpatia.

Bitterroot Shawlette

Meu primeiro impulso foi tricotar um cachecol, uma vez que é prático, não precisa tirar medidas, basta que seja longo o suficiente para dar uma volta no pescoço. Mas me deparei com a receita do xale Bitterroot da Rosemary (Romi) Hill. Li a receita várias vezes e me pareceu fácil. Como eu tinha um fio 100% algodão de espessura similar à requisitada pela receita, resolvi tentar tecer o de tamanho menor.

Tricotar o primeiro xale foi um marco. Foi quando vi que era capaz de tricotar renda. E melhor de tudo, descobri que tricotar renda não era difícil. Também foi a primeira peça que bloqueei. Adorei essa etapa, foi mágico assistir a renda se mostrar tão bela depois de molhar e esticar a trama.

Bitterroot ShawletteDepois que o xale ficou pronto eu me apaixonei por ele e não queria entregar o presente de jeito nenhum! Fui trabalhar usando esse xale com uma camiseta da mesma cor e calça jeans preta. Ele mora no meu guarda-roupa desde então. A proprietária da sala comercial? Assei um bolo integral de banana com castanhas-do-pará que ela gostou tanto que me pediu receita :-)

Voltei a tricotar o xale Bitterroot, só que no tamanho grande. Dessa vez consegui desapegar, ele foi enviado para minha mamãe. Ainda encantada, pedi autorização para publicar a tradução do xale Bitterroot para o português.

Ando pensando muito na história do primeiro xale e no quanto eu sou eternamente grata às designers, essas pessoas que criam peças tão bonitas e disponibilizam a receita. Admiro-as pelo dom de criar e por nos ensinar a tricotar essas peças.

Sobretudo, agradeço a oportunidade que elas nos dão de comprar suas receitas. Nada mais frustrante que ver uma receita linda no Ravelry e descobrir que é uma receita pessoal. Mas fazer o quê? Escrever uma receita não é tarefa fácil.

De coração, muito obrigada. Eu nunca me aventuraria a tricotar renda não fosse todo esse trabalho de vocês, designers.

receita traduzida – Xale Gail

Xale Gail

Fotografia: Mawelucky/Jane Araujo

Os xales que a MaweLucky/Jane Araújo cria são poemas feitos com fios, fluidos e elegantes.

Como resistir? Através do Ravelry, comprei duas de suas receitas: a do xale Dorothy e a do xale Luiza. Agora só falta encontrar o fio certo para montar os pontos dessas belezas!

Com a maior alegria recebi sua autorização para publicar a tradução do Xale Gail para o português, receita belíssima que ela, muito generosa, disponibilizou de graça.

Obrigada, Jane!

a maré está para xale Holden

Essa receita estava na fila de projetos há meses. Não porque faltasse vontade de tricotá-la, pelo contrário! Faltava encontrar o fio certo para honrar a beleza da receita!

Xale Holden

No dia em que vi esse fio com essa cor índigo, soube na hora que tinha encontrado o fio certo para tricotar o xale Holden. Imaginei minha mamãe usando jeans escuros, camisa branca e esse xale sobre os ombros. Presente perfeito!

Xale Holden

sete ondas
A barra desse xale representa as ondas quando quebram na praia. A receita pede que o gráfico seja trabalhado 2 vezes e então trabalhar o gráfico até a linha 6, o que forma 5 ondas no barrado do xale. Mas antes de trabalhar o gráfico até a linha 6, acrescentei mais uma repetição inteira do gráfico, o que formou 7 ondas no barrado do xale.

Xale Holden

barra em picot
Por acrescentar mais duas ondas na barra do xale, tive problema com a quantidade de fio que restou para arrematar o xale.

Antes de iniciar o arremate em picot, devemos tricotar uma carreira em meia no direito e outra em meia no avesso (um cordão de tricô). Foi o que fiz e fio acabou antes de arrematar a metade da barra. Resolvi manter a carreira em meia no lado direito e arrematar no avesso. O fio acabou faltando menos de um quarto da barra para arrematar.

A solução foi alterar o arremate em picot, para que consumisse menos fio. No lugar de montar dois pontos e arrematar quatro (cria um picot a cada ponto) eu montei dois pontos e arrematei cinco, o que cria uma barra com um picot a cada dois pontos, bem sutil. Sobrou apenas 1 grama de fio.

Xale Holden

Depois que tirei a fotografia do xale sendo bloqueado, acrescentei mais alfinetes à borda do xale para dar uma forma mais arrendondada a cada onda.
Antes de estender, o xale media 100 x 55 cm (40 x 21,6 pol). Após retirar os alfinetes ele mediu 135 x 65 cm (53 x 25,5 pol).

Receita: Xale Holden por Mindy Wilkes, que autorizou a tradução para o português
Fio: Malabrigo Socks na cor 807 Cote d’Azure
Agulha: Addi Lace circular de 1m de comprimento

Veja este projeto no Ravelry

This pattern had been in my queue for months. Not because I lacked the will of knitting it, on the contrary! I lacked the right yarn to honor the beauty of the pattern!The day I saw this yarn in its indigo color, I instantly knew I had found the right yarn to knit the Holden shawlette. I imagined my mom wearing dark blue jeans, white shirt and this shawllet over the shoulder. Perfect gift!

seven waves
The edge of this shawl represents the waves as they break onto the shore. The pattern requests knitting the chart 2 times, and then, knitting the chart through line 6, which creates five waves on the edge. But before working the chart through line 6, I added another repetition of the entire chart, which created seven waves at the edge.

the picot edge
Because I added 2 more waves to the shawl, I had issues with the quantity of yarn left to bind off. Before starting the picot bind off, we should knit two rows (one garter stitch row). So I did it and I ran out of yarn halfway through the edge. So I ripped back the edge plus one entire knitted row as I decided to bind off on the wrong side. This time I ran out of yarn after binding off three quarters of the edge.

The solution I found was to modify the picot bind off so it used less yarn. Instead of cast on two stitches and bind off four stitches (which creates one picot every other stitch) I casted on two stiches and binded off five, which created an edge with one picot every two stiches, a very ‘sutil’ picot. Only 0.03 ounces of yarn was left.

After I took the photograph of the blocking shawl, I added more pins to its edge to give a rounded shape to each wave.
Before blocking, the shawl mesured 40 x 21.6 inches (100 x 55 cm). After removing the pins it mesured 53 x 25.5 inches (130 x 65 cm).

Pattern: Holden Shawlette by Mindy Wilkes
Yarn: Malabrigo Socks – colorway 807 Cote d’Azure
Needle: Circular Addi Lace US#6 – 40 inches long

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