receita traduzida – Gorro Knotty But Nice

Ultimamente ando envolvida no tricoteio de gorros. São presentes que estou tricotando para meninas e meninos cujas idades variam de 5 a 10 anos.

Na minha opinião, receitas de gorros para menino são mais difíceis de encontrar. Por isso fiquei muito feliz quando a designer Natalie Larson prontamente autorizou que eu publicasse a tradução do gorro Knotty But Nice para o português.

receita traduzida Gorro Knotty But Nice de Natalie LarsonÉ um gorro tradicional em barra 2×2 que vão se entrelaçando até formar uma bela trança que aos poucos se desembaraça e volta a ser barra 2×2.

Muito obrigada pela receita tão bonita! Thank you, Natalie!

um cachecol para o diogo

Montei as centenas de pontos desse cachecol no dia seis de julho às 15h30. Era sábado e começava a passar Julieta dos Espíritos na televisão. Eu queria muito tricotar enquanto assistia o filme mas não havia nada nas minhas agulhas.

trico em prosa.com - um cachecol para o Diogo

Na verdade eu precisava costurar as fitas laterais do gorro Lucille mas ainda não havia decidido se faria flor ou laço.

Mas naquela hora eu não queria costurar, eu queria tricotar! Então porque não montar os pontos do cachecol que o Diogo me pediu há tanto tempo? Eu já havia encomendado o fio alguns meses atrás, ele estava ali do meu lado, enrolado e pronto para uso!

tricô em prosa - um cachecol para o Diogo

Esse fio é um espetáculo! Em lã natural e tingido artesanalmente pela bela Sandra Baroni do blog Tricô Tricô com tons de azul escuro.

Eu havia comprado apenas uma unidade em abril desse ano. Quando abri o pacote minha sensação foi de ter recebido carinho em forma de fio. Tem carinho na maneira com que a Sandra embalou o fio no plástico para que ele não ficasse em contato com a caixa, carinho nos marcadores de pontos de brinde, no cartão, é tudo feito com muito zelo!

Decidi que tricotaria o cachecol do Diogo com ele. Antes seria necessário encomendar um “irmão”. Sorte minha que ainda havia outra meada do mesmo lote. Assim que recebi a segunda meada, bastou esperar a oportunidade perfeita para montar os pontos.

tricô em prosa - Cachecol Henry

Tido por muitas tricoteiras no Ravelry como entediante, eu adorei tecer cada pedacinho desse cachecol! Ele é tricotado no sentido do comprimento, não da largura. São montados 227 pontos e já na primeira carreira eles aumentam para 452.

Compridíssima, eu levava 20 a 25 minutos para completar uma carreira, que é trabalhada tanto no lado direito como no avesso, sempre em pares passados sem fazer alternados com pares em meia ou tricô. Uma repetição completa do ponto tem 24 carreiras e forma um bonito padrão em ziguezague. No total eu fiz cinco repetições do ponto (a receita pede seis), pois o cachecol já estava com uma largura muito boa de 19 centímetros.

trico em prosa.com - um cachecol para o Diogo

Completei a segunda repetição duas semanas e meia depois de ter montado os pontos. Até então só tricotava o cachecol à noite quando chegava em casa. Como esse ponto é muito fácil de ser retomado, comecei a levar o cachecol na bolsa. Fez muita diferença! A terceira repetição demorou apenas quatro dias para ser finalizada.

As duas últimas repetições demoraram mais, mas por um ótimo motivo: uma viagem para comemorar os 70 anos do meu pai.

tricô em prosa - Cachecol Henry

Algo de novo que aprendi foi o arremate tubular, costurado. Ele deixa a borda arrematada igual à borda onde os pontos foram montados. Demorei dois dias para arrematar os pontos do cachecol, acho que foram cinco horas para arrematar.

No dia 10 de agosto, um domingo, o cachecol foi encharcado com um pouco de sabão para roupa delicada e então foi mansamente esticado sobre duas toalhas.

Ele mede 188 centímetros de carinho para acompanhar o Diogo nas suas futuras aventuras!

Receita: Henry* de Marieke Sattler
*A designer gentilmente permitiu a publicação da tradução da receita para o português
Fio: 2 meadas de Tricô Tricô Fios Fingering na cor Abissal
Agulha: circular número 2,50mm e 3,50mm ambas com 1 metro de comprimento


Veja este projeto no Ravelry

na estrada tecendo meias-luvas

Com malas prontas para passar uma semana na casa de meus pais, sou tomada por um excesso de otimismo. Coloco na sacola de tricô: a) um casaco de criança que falta embutir os fios, costurar os bolsos e pregar os botões; b) um xale tricotado até a metade; c) 100 gramas de fio para tricotar um novo par de meias; e d) 45 gramas do fio que restou desse par de meias para tricotar um par de meias-luvas.

[tricô em prosa.com] meias-luvas fallberry

A sacola ficou cheia de boas intenções, mas minha atenção se voltou inteiramente para as meias-luvas. Me apaixonei por essa receita e há um mês venho tentando tricotá-las usando apenas 30 gramas do fio que restou desse par de meias.

Na primeira tentativa, segui à risca as instruções da receita para tricotar o tamanho maior. Na segunda tentativa encurtei o punho. Diversas tentativas depois, não importa o que eu modificasse, sempre faltava fio. Definitivamente, não daria para usar 30 gramas para tricotá-las.

[tricô em prosa.com] meias-luvas fallberry

Dada a perspectiva de passar sete horas no banco do passageiro, foi esse o projeto que escolhi para tricotar na estrada. Assim que a viagem teve início, montei os pontos usando a montagem norueguesa (também chamada de antiga montagem alemã), que cria uma borda bem elástica que gosto de usar quando tricoto meias.

Montei sete pontos a mais que a quantidade recomendada para o tamanho maior, ou seja, 56 pontos. O ponto da meia-luva é muito bonito, fácil de memorizar além de ser elástico, ele adapta-se bem ao punho e à palma da mão.

[tricô em prosa.com] meias-luvas fallberry

Nesse projeto aprendi uma técnica nova para mim, o arremate incrivelmente elástico da Jeny, que adorei! Como o arremate usual, passa-se um ponto sobre o outro, mas antes é preciso preparar cada ponto que será arrematado usando laçada inversa para o ponto meia e laçada usual para o ponto tricô. É esse preparo do ponto que atribui a alta flexibilidade da borda criada por ele.

Esse arremate é simples, rápido e não requer que o fio seja cortado. Esse vídeo excelente da Cat Bordhi ensina esse arremate e ainda mostra como fazer um acabamento perfeito no final.

Ah, sim! Depois de prontas, o par de meias-luvas pesou 40 gramas.

[tricô em prosa.com] meias-luvas fallberry

Eu nunca tive tantas peças iniciadas antes, no máximo dois projetos em andamento. Uma vantagem de ter tantos projetos iniciados é que quando aparece algum tempinho para tricotar, basta escolher um deles e mandar bala! Mas me estranha o fato de levar muito mais tempo para se terminar alguma peça.

Mas atenção, eu não estou dizendo que isso seja um problema. Agora que retornei à minha casa terei a prazeirosa missão de terminar cada um dos projetos iniciados, um de cada vez! Que alegria!

Receita: Fallberry Mitts por Anne Hanson 
Fio: Shepherd Sock Solid de Lorna’s Laces na cor Cranberry
Agulha: jogo de 5 agulhas de pontas duplas número 2,50mm / US# 2 ½

Veja este projeto no Ravelry

o primeiro xale e um agradecimento

Antes de tricotar xales eu achava que nunca usaria um. Via todos aqueles xales exuberantes, admirava-os, mas achava que eles só seriam indicados para ocasiões formais, como um casamento.

O primeiro xale que teci seria presenteado para a senhora que aluga sua sala comercial para o meu marido. Ela é muito atenciosa, sempre nos manda frutas do seu sítio, ovos frescos, pão de queijo, mexericas… Um amor! Eu queria muito tricotar um mimo bem bonito para ela e retribuir toda atenção e simpatia.

Bitterroot Shawlette

Meu primeiro impulso foi tricotar um cachecol, uma vez que é prático, não precisa tirar medidas, basta que seja longo o suficiente para dar uma volta no pescoço. Mas me deparei com a receita do xale Bitterroot da Rosemary (Romi) Hill. Li a receita várias vezes e me pareceu fácil. Como eu tinha um fio 100% algodão de espessura similar à requisitada pela receita, resolvi tentar tecer o de tamanho menor.

Tricotar o primeiro xale foi um marco. Foi quando vi que era capaz de tricotar renda. E melhor de tudo, descobri que tricotar renda não era difícil. Também foi a primeira peça que bloqueei. Adorei essa etapa, foi mágico assistir a renda se mostrar tão bela depois de molhar e esticar a trama.

Bitterroot ShawletteDepois que o xale ficou pronto eu me apaixonei por ele e não queria entregar o presente de jeito nenhum! Fui trabalhar usando esse xale com uma camiseta da mesma cor e calça jeans preta. Ele mora no meu guarda-roupa desde então. A proprietária da sala comercial? Assei um bolo integral de banana com castanhas-do-pará que ela gostou tanto que me pediu receita :-)

Voltei a tricotar o xale Bitterroot, só que no tamanho grande. Dessa vez consegui desapegar, ele foi enviado para minha mamãe. Ainda encantada, pedi autorização para publicar a tradução do xale Bitterroot para o português.

Ando pensando muito na história do primeiro xale e no quanto eu sou eternamente grata às designers, essas pessoas que criam peças tão bonitas e disponibilizam a receita. Admiro-as pelo dom de criar e por nos ensinar a tricotar essas peças.

Sobretudo, agradeço a oportunidade que elas nos dão de comprar suas receitas. Nada mais frustrante que ver uma receita linda no Ravelry e descobrir que é uma receita pessoal. Mas fazer o quê? Escrever uma receita não é tarefa fácil.

De coração, muito obrigada. Eu nunca me aventuraria a tricotar renda não fosse todo esse trabalho de vocês, designers.

receita traduzida – Meias Baudelaire

Meias BaudelaireEis o registro fotográfico das últimas peças que saíram de minhas agulhas: as inebriantes meias Baudelaire.

Elas serão presenteadas para uma amiga muito querida. A Leidinha merece aquecer os pés com muita poesia, vinho e virtude!

Você também ganha presente: a designer gentilmente permitiu a publicação da tradução das Meias Baudelaire para o português. Thank you, Cookie A and Kristi Geraci!

Detalhe: foi da obra “Pequenos Poemas em Prosa” de Charles Baudelaire que tirei o nome do blog!