o primeiro xale e um agradecimento

Antes de tricotar xales eu achava que nunca usaria um. Via todos aqueles xales exuberantes, admirava-os, mas achava que eles só seriam indicados para ocasiões formais, como um casamento.

O primeiro xale que teci seria presenteado para a senhora que aluga sua sala comercial para o meu marido. Ela é muito atenciosa, sempre nos manda frutas do seu sítio, ovos frescos, pão de queijo, mexericas… Um amor! Eu queria muito tricotar um mimo bem bonito para ela e retribuir toda atenção e simpatia.

Bitterroot Shawlette

Meu primeiro impulso foi tricotar um cachecol, uma vez que é prático, não precisa tirar medidas, basta que seja longo o suficiente para dar uma volta no pescoço. Mas me deparei com a receita do xale Bitterroot da Rosemary (Romi) Hill. Li a receita várias vezes e me pareceu fácil. Como eu tinha um fio 100% algodão de espessura similar à requisitada pela receita, resolvi tentar tecer o de tamanho menor.

Tricotar o primeiro xale foi um marco. Foi quando vi que era capaz de tricotar renda. E melhor de tudo, descobri que tricotar renda não era difícil. Também foi a primeira peça que bloqueei. Adorei essa etapa, foi mágico assistir a renda se mostrar tão bela depois de molhar e esticar a trama.

Bitterroot ShawletteDepois que o xale ficou pronto eu me apaixonei por ele e não queria entregar o presente de jeito nenhum! Fui trabalhar usando esse xale com uma camiseta da mesma cor e calça jeans preta. Ele mora no meu guarda-roupa desde então. A proprietária da sala comercial? Assei um bolo integral de banana com castanhas-do-pará que ela gostou tanto que me pediu receita :-)

Voltei a tricotar o xale Bitterroot, só que no tamanho grande. Dessa vez consegui desapegar, ele foi enviado para minha mamãe. Ainda encantada, pedi autorização para publicar a tradução do xale Bitterroot para o português.

Ando pensando muito na história do primeiro xale e no quanto eu sou eternamente grata às designers, essas pessoas que criam peças tão bonitas e disponibilizam a receita. Admiro-as pelo dom de criar e por nos ensinar a tricotar essas peças.

Sobretudo, agradeço a oportunidade que elas nos dão de comprar suas receitas. Nada mais frustrante que ver uma receita linda no Ravelry e descobrir que é uma receita pessoal. Mas fazer o quê? Escrever uma receita não é tarefa fácil.

De coração, muito obrigada. Eu nunca me aventuraria a tricotar renda não fosse todo esse trabalho de vocês, designers.

receita traduzida – Xale Gail

Xale Gail

Fotografia: Mawelucky/Jane Araujo

Os xales que a MaweLucky/Jane Araújo cria são poemas feitos com fios, fluidos e elegantes.

Como resistir? Através do Ravelry, comprei duas de suas receitas: a do xale Dorothy e a do xale Luiza. Agora só falta encontrar o fio certo para montar os pontos dessas belezas!

Com a maior alegria recebi sua autorização para publicar a tradução do Xale Gail para o português, receita belíssima que ela, muito generosa, disponibilizou de graça.

Obrigada, Jane!

a maré está para xale Holden

Essa receita estava na fila de projetos há meses. Não porque faltasse vontade de tricotá-la, pelo contrário! Faltava encontrar o fio certo para honrar a beleza da receita!

Xale Holden

No dia em que vi esse fio com essa cor índigo, soube na hora que tinha encontrado o fio certo para tricotar o xale Holden. Imaginei minha mamãe usando jeans escuros, camisa branca e esse xale sobre os ombros. Presente perfeito!

Xale Holden

sete ondas
A barra desse xale representa as ondas quando quebram na praia. A receita pede que o gráfico seja trabalhado 2 vezes e então trabalhar o gráfico até a linha 6, o que forma 5 ondas no barrado do xale. Mas antes de trabalhar o gráfico até a linha 6, acrescentei mais uma repetição inteira do gráfico, o que formou 7 ondas no barrado do xale.

Xale Holden

barra em picot
Por acrescentar mais duas ondas na barra do xale, tive problema com a quantidade de fio que restou para arrematar o xale.

Antes de iniciar o arremate em picot, devemos tricotar uma carreira em meia no direito e outra em meia no avesso (um cordão de tricô). Foi o que fiz e fio acabou antes de arrematar a metade da barra. Resolvi manter a carreira em meia no lado direito e arrematar no avesso. O fio acabou faltando menos de um quarto da barra para arrematar.

A solução foi alterar o arremate em picot, para que consumisse menos fio. No lugar de montar dois pontos e arrematar quatro (cria um picot a cada ponto) eu montei dois pontos e arrematei cinco, o que cria uma barra com um picot a cada dois pontos, bem sutil. Sobrou apenas 1 grama de fio.

Xale Holden

Depois que tirei a fotografia do xale sendo bloqueado, acrescentei mais alfinetes à borda do xale para dar uma forma mais arrendondada a cada onda.
Antes de estender, o xale media 100 x 55 cm (40 x 21,6 pol). Após retirar os alfinetes ele mediu 135 x 65 cm (53 x 25,5 pol).

Receita: Xale Holden por Mindy Wilkes, que autorizou a tradução para o português
Fio: Malabrigo Socks na cor 807 Cote d’Azure
Agulha: Addi Lace circular de 1m de comprimento

Veja este projeto no Ravelry

This pattern had been in my queue for months. Not because I lacked the will of knitting it, on the contrary! I lacked the right yarn to honor the beauty of the pattern!The day I saw this yarn in its indigo color, I instantly knew I had found the right yarn to knit the Holden shawlette. I imagined my mom wearing dark blue jeans, white shirt and this shawllet over the shoulder. Perfect gift!

seven waves
The edge of this shawl represents the waves as they break onto the shore. The pattern requests knitting the chart 2 times, and then, knitting the chart through line 6, which creates five waves on the edge. But before working the chart through line 6, I added another repetition of the entire chart, which created seven waves at the edge.

the picot edge
Because I added 2 more waves to the shawl, I had issues with the quantity of yarn left to bind off. Before starting the picot bind off, we should knit two rows (one garter stitch row). So I did it and I ran out of yarn halfway through the edge. So I ripped back the edge plus one entire knitted row as I decided to bind off on the wrong side. This time I ran out of yarn after binding off three quarters of the edge.

The solution I found was to modify the picot bind off so it used less yarn. Instead of cast on two stitches and bind off four stitches (which creates one picot every other stitch) I casted on two stiches and binded off five, which created an edge with one picot every two stiches, a very ‘sutil’ picot. Only 0.03 ounces of yarn was left.

After I took the photograph of the blocking shawl, I added more pins to its edge to give a rounded shape to each wave.
Before blocking, the shawl mesured 40 x 21.6 inches (100 x 55 cm). After removing the pins it mesured 53 x 25.5 inches (130 x 65 cm).

Pattern: Holden Shawlette by Mindy Wilkes
Yarn: Malabrigo Socks – colorway 807 Cote d’Azure
Needle: Circular Addi Lace US#6 – 40 inches long

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sapatinhos da Saartje

A maioria das peças que tricoto é presenteada e muitas são feitas especialmente para aquela pessoa que ganhará o presente. Mas não consegui esperar pelo bebê que ganharia o casaquinho Owlet, tricotado de pura vontade de ver as corujinhas saindo das agulhas.

Na semana passada, essas corujinhas foram morar na casa dos pais da Fabiana, que nascerá em janeiro. Para acompanhar, tricotei os sapatinhos da Saartje, os primeiros sapatinhos de bebê que tricoto.

Sapatinhos da Saartje

Como não tinha experiência nenhuma, segui à risca o que pedia a receita, tricotei aberto para costurar no final. Não consegui me entender com a tal costura: na sola ficou legal, mas no calcanhar ficava muito mal acabado e dava a impressão de desconforto. Refiz várias vezes, sem sucesso.

Sapatinhos da Saartjes

Então me veio uma solução, percebi que poderia tricotar circularmente, de baixo para cima, usando a montagem mágica da Judy. Segui todas as instruções da receita, exceto pelas seguintes adaptações:

  • Montei 32 pontos no lugar de 31
  • A primeira volta foi trabalhada em tricô, a segunda em meia, e assim sucessivamente
  • Trabalhei a frente do sapatinho deixando dois pontos centrais, e não apenas um ponto
  • Não montei as tiras separadamente, como é orientado no PDF da receita. Preferi trabalhar até o final da carreira e montar 12 pontos usando a montagem cable cast-on. O ganho é que temos menos fios para embutir na fase de acabamento, afinal são duas tiras por sapatinho.

Sapatinhos da Saartjes

Na primeira tentativa, suprimi as voltas 21 à 23 (sem querer) e o sapatinho ficou pequenino. Não desmanchei. Tricotei mais um par, dessa vez com todas as carreiras, que ficou um pouco maior que o primeiro. Presenteei os dois.

Observação: no modelo original, esses sapatinhos são tricotados em duas cores, como podemos ver nessa seleção de fotografias do Flickr!

Sapatinhos da Saartjes

Fiz o cartão usando o papel de uma sacola de sapatos. Furei o cartão antes de costurar dois botões idênticos aos do casaco, para ajudar a mamãe da Fabiana caso algum botão venha a se perder. Me inspirei nesses cartões aqui.

Atualização de 29/julho/2013: A talentosa Sandra do blog Tricô e Mais Tricô publicou a tradução da receita Sapatinhos da Saartje com autorização da designer.
Obrigada, Sandra!

Receita: Saartje’s Booties por Saartje de Bruijn
Fio: Pingouin Noblesse na cor 1818 Platinado
Agulha: circular número 3,0mm de 1 metro de comprimento

Veja este projeto no Ravelry

Most of the projects I knit are gifts and lots of them are made specially for the person that will receive it. But I couldn’t wait for the baby that would receive the Owlet cardigan, which was knit out of pure will of seeing those little owls caming out the needles.Last week, those owls went to live at baby Fabiana’s parents, she’ll be born next January. And I’ve knit Saartje’s booties to go with the cardigan, first baby booties I’ve ever knit.

As I had no experience at all, I followed the pattern strictly, I’ve knit it flat to sew it afterwards. But I couldn’t work those seams: it looked nice at the sole, but it didn’t looked neither nice nor comfortable at the heel. I’ve redone it several times, with no success.

Then the solution suddenly hit me. I realized I could knit it circularly, bottom-up, using Judy’s magic cast on. I followed all the instructions, except for:

  • I cast-on 32 stitches instead of 31
  • The first round was purled, the second one was knitted, and so on
  • The front of the bootee was worked with two central stitches instead of one
  • I didn’t cast on for the straps separately, as shown on pattern instructions. I’ve chosen to work until the end of the row and cast 12 stitches on using the cable cast-on. It meant fewer ends to weave, after all we get two straps per bootee

On my first attempt, I forgot to knit rounds 21-23 and the booties came out tiny. I didn’t frog. I knitted another pair, this time with all the rows, and it came out a little bigger than the first one.

Note: the original bootee is knit using two colors, as we can see at this photo selection on Flickr!

I made the card with the paper from a paper bag. I made tiny holes before sewing two buttons, the same type that was sewn on the cardigan, to help Fabiana’s mother in case it misses one of the buttons. I found inspiration on those cards.

Pattern: Saartje’s Booties by Saartje de Bruijn
Yarn: Pingouin Noblesse – colorway 1818 Platinado
Needles: circular US#4 60 inches long

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receita traduzida – Meias Baudelaire

Meias BaudelaireEis o registro fotográfico das últimas peças que saíram de minhas agulhas: as inebriantes meias Baudelaire.

Elas serão presenteadas para uma amiga muito querida. A Leidinha merece aquecer os pés com muita poesia, vinho e virtude!

Você também ganha presente: a designer gentilmente permitiu a publicação da tradução das Meias Baudelaire para o português. Thank you, Cookie A and Kristi Geraci!

Detalhe: foi da obra “Pequenos Poemas em Prosa” de Charles Baudelaire que tirei o nome do blog!