umas boas meias de algodão

Meu plano de tecer meias usando fio de algodão teve início em meados de outubro. Essa é mais uma peça tecida inteiramente enquanto estive fora de casa, levada na bolsa, já que quando estava em casa só tive olhos para um xale que ainda estou tecendo com o maior zelo e carinho.

blog tricô em prosa - umas boas meias de algodão

Elas são extremamente confortáveis!

Minha primeira providência foi tecer as amostras. Uma amostra foi tecida em ponto jérsey e outra com o ponto escolhido para as meias, que foi retirado do livro Getting Started Knitting Socks da Ann Budd. Além de ensinar a tecer meias, o livro oferece vários pontos apropriados para sua confecção.

Esse ponto sempre esteve entre um dos meus favoritos. Combina colunas torcidas com ponto tricô, excelente para dar elasticidade às meias de algodão.

blog tricô em prosa - umas boas meias de algodão

Usando a matemática das meias fiz os primeiros cálculos e pude esboçar a receita. Para usar o ponto escolhido para as meias foram necessárias algumas adaptações e pronto, mandei bala!

As meias ficaram prontas em quinze dias. Os pontos do primeiro pé foram montados em meados de outubro e o segundo pé foi arrematado no início de novembro.

Entretanto, só pude fotografá-las agora porque minha câmera apresentou um defeito ainda no início de outubro, bem no dia em que fui fotografar o xale Goldmarie que teci para minha tia. Demorei algumas semanas para mandá-la para o conserto e outras mais foram necessárias para que ela retornasse. Como fez falta…

blog tricô em prosa - umas boas meias de algodão

Descobri que esse fio é muito grosso para tecer meias que serão usadas com sapatos fechados, fica apertado. Por esse motivo essas meias serão usadas principalmente para dormir.

Já providenciei outro fio de algodão, dessa vez um pouco mais fino, e com ele vou tecer a mesma receita. Quero ver se produz meias com espessura adequada para usar com sapatos fechados. Serão as próximas peças que passarão um bom tempo indo e vindo na minha bolsa enquanto termino de tecer aquele xale no conforto da minha casa.

Receita: Meias Fusilli de Valéria Garcia
Fio: Pingouin Bella na cor 1815
Agulha: circular número 2,5mm e 2,75mm de 100 centímetros de comprimento

Veja essas meias no Ravelry

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um manto de flores

A vó Ziquinha é um exemplo. Uma das coisas que mais admiro nela é a naturalidade com que ela acompanha as mudanças de comportamento das novas gerações. Para ela é natural que os costumes mudem. Ela não faz comentários saudosistas, não julga nem compara. Ela respeita e apoia as escolhas dos filhos e netos. Nos sentimos amados, acolhidos e respeitados. Sua companhia é um deleite. Vó, um dia ainda serei tão jovem quanto você!

tricô em prosa - um manto de flores: xale Echo Flower tecido em algodão mercerizado

Eu queria mesmo era cobrir minha vovó de flores! Então decidi tricotar um xale de presente para ela. Um xale vermelho, porque é amor, porque é calor, é meu bocado de flores e mais flores para abraçá-la.

no começo, flores

Escolhi essa receita porque ela foi inspirada no xale Laminaria da talentosa Elizabeth Freeman, do qual compartilha um ponto de flores típico dos xales estonianos.

Montei os pontos do xale em março e fiz questão de tecê-lo no meu tempo, sem estipular prazos e sem atropelos. Esse xale foi tricotado basicamente nos sábados, domingos e feriados. Claro que durante os dias de semana eu tricotei, mas pouco.

Repeti o gráfico de flores 13 vezes porque queria um xale de tamanho maior.

trico em prosa - um manto de flores - xale Echo Flower

Eu tricoto usando o método continental, segurando o fio com a mão esquerda, de modo que o fio sempre fica naturalmente esticado. Para realizar o ponto estrela de dois para nove e também o ponto estrela de três para nove, eu precisava me atentar em manter esse fio bem frouxo.

Recomendo atenção nas linhas 1, 2 e 3 do gráfico de flores. Algumas vezes ao realizar a linha dois do gráfico, no avesso do trabalho, deixei cair um dos nove laços do ponto estrela e todos os demais laços se desmancharam. Tive de desmanchar até aquele ponto na carreira anterior para refazer a estrela. O mesmo ocorre se algum ponto acima da estrela cair ao trabalhar a linha três, as pétalas viram um emaranhado de fios. Eu cometi esse erro na linha três duas vezes e tive de desmanchar até a linha um para refazê-la.

borda e barrado

Depois de concluir o gráfico das flores devemos primeiro tecer os gráficos da borda, que são três gráficos, e só então tecer o gráfico do barrado.

A novidade dos gráficos de borda é que neles temos de realizar os nupps. Escolhi fazer os nupps com nove voltas, e não sete. Com a ajuda desse vídeo aprendi a fazê-los com uma agulha de crochê. Fica bem mais fácil. Primeiro usei uma agulha de crochê de numeração 3,5mm. Entretanto, ficou bem mais confortável depois que a troquei por outra de numeração 2,5mm.

trico em prosa - um manto de flores - xale Echo Flower

Enquanto tecia a borda, surgiu uma oportunidade de visitar minha avó. Se conseguisse terminar o xale em dez dias eu poderia entregá-lo para ela. Naquela etapa, terminar em dez dias, tricotando apenas de noite, seria: a) terminar a borda, b) tecer o gráfico do barrado, c) embutir as pontas, d) bloquear, e) esperar secar. Não, impossível em dez noites. Isso foi um pouco desanimador. Durante a semana que antecedeu essa visita eu não toquei mais no pobre xale. Só voltei a tricotá-lo uma semana depois, quando surgiu uma oportunidade de visitar meus pais!

Armei-me de paciência ao tecer a primeira linha do gráfico do barrado. É a mais lenta de se trabalhar porque combina nupps com ponto estrela de dois para nove em cada repetição.

trico em prosa - um manto de flores - xale Echo Flower

Arrematar os pontos também levou muito tempo. Eu não arrematei com fio duplo, foi com fio simples mesmo. Na fotografia acima está o xale do jeito que saiu das agulhas, todo amassadinho.

banho e dos alfinetes

Engraçado como em nenhum momento, enquanto tricotava esse xale, achei que os pontos ficariam parecidos aos das dezenas de fotografias dessa receita que vi no Ravelry. Tudo seria resolvido no momento em que a peça fosse molhada e alfinetada bem esticadinha, eu pensava. Não foi o que aconteceu. Depois de bloqueado na sua forma final, eu ainda não reconhecia os pontos na minha frente.

trico em prosa - um manto de flores - xale Echo Flower

O que eu via era tão estranho que tive de analisar melhor aquela trama. Talvez os laços dos pontos estrela estivessem muito frouxos. Talvez não soube dar forma ao xale. Talvez seria apenas o cansaço, já era noite. Amanhã, mais descansada, bloquearia o xale novamente. No dia seguinte, antes de mergulhar a peça na água, joguei o xale sobre os ombros e fui olhar no espelho. Ali na minha frente, reconheci os pontos do xale, ali estavam os pontos que queria ver. Ufa!

Antes de bloqueá-lo em sua forma final, o xale media 88 centímetros de envergadura por 48 centímetros de altura. Suas dimensões cresceram para 122 centímetros de envergadura por 62 centímetros de altura.

Ele pesa 176 gramas. Foram quatro bolas de Coats Corrente Esterlina 5, sendo que usei muito pouco fio da quarta bola. O fio da terceira bola acabou quando faltava apenas três carreiras do gráfico do barrado mais o arremate para terminar.

Receita: Echo Flower Shawl de Jenny Johnson Johnen
Fio: Coats Corrente Esterlina 5 na cor 34, 4 bolas
Composição: 100% algodão
Agulhas: circular Addi Lace numeração 3,50mm de 1 metro de comprimento

Veja esse projeto no Ravelry

uma prenda delicada

Ela não sabe mas desde o ano passado eu havia feito um compromisso comigo mesma de presenteá-la esse ano com um xale tecido à mão. Então um dia desses fui surpreendida pela proximidade da data de seu aniversário. Funcionando em modo de emergência, me armei com receita, agulhas e um fio de cor calorosa, que combina perfeitamente com a alegria da aniversariante. Feliz aniversário, Maryse!

trico em prosa - uma prenda delicada - Xale Geschenk

Confesso que no dia em que montei os pontos desse xale sentia uma espécie de medo crescente de não conseguir finalizá-lo a tempo. Não disponho de muito tempo livre para tricotar e eu queria tricotar uma peça rendada, o que requer checar o gráfico constantemente, contar os pontos com mais frequência, enfim, requer mais atenção. Na maioria dos xales que tricotei, a renda é trabalhada somente nas carreiras do lado direito sendo que as carreiras do avesso são trabalhadas unicamente em ponto tricô. Entretanto, nessa receita a renda é trabalhada em todas as carreiras. Cheguei a pensar que tinha escolhido a receita errada mas agora estou muito contente por ter persistido!

Gráfico A
O xale é tricotado de baixo para cima. Primeiro devemos tecer o gráfico A. De tempos em tempos, é necessário montar dezessete pontos no final de uma carreira, e depois montar dezoito pontos do final da carreira seguinte. Usei a montagem cable cast on no lugar da montagem tricotada.

O medo de não conseguir finalizar a tempo me acompanhou durante todas as linhas do primeiro gráfico. Aos poucos me familiarizei com sua construção e quando o gráfico A foi concluído, aconteceu o inesperado: tricotar esse xale tornou-se muito fácil! Tive certeza de que cumpriria o prazo com (bastante) folga!

trico em prosa - uma prenda delicada - Xale Geschenk

Gráfico B
A próxima etapa seria repetir o gráfico B quantas vezes quisesse. Para tecer as repetições desse gráfico eu precisava prestar atenção (aliás, bastante atenção) nas duas primeiras linhas. É nelas que acontecem os aumentos no final das carreiras e que os marcadores devem ser reposicionados.

Demorei um pouco para determinar os locais onde eu precisava de marcadores de pontos. Sem marcadores fica muito confuso. Então, uma dica que só vai fazer sentido para quem quiser tricotar essa receita. Eu usei 3 pares diferentes de marcadores. A Linha 1 do Gráfico B é trabalhada no avesso. Eu colocava um marcador na posição 8 da Linha 1 e outro idêntico na posição 8 da Linha 2. Colocava outro marcador na posição 18 da Linha 1 e outro idêntico na posição 18 da Linha 2. Também colocava marcadores para delimitar a parte contornada em vermelho no gráfico, de modo que um marcador ficava na posição 35 da Linha 1 e o outro era colocado 31 pontos antes do final dessa mesma Linha 1.

Outra dica é destacar com caneta hidrográfica os quadradinhos contendo o ponto pppt (ou sssk) na Linha 2 do Gráfico B, isso ajudou bastante. Essa dica aprendi nessa publicação da querida designer Paula Nina.

Eu repeti o gráfico B sete vezes. Sempre que alcançava a última linha do gráfico eu removia todos os marcadores à medida que os encontrava para então reposicioná-los nas duas linhas iniciais da próxima repetição do gráfico. As demais linhas seguem uma lógica fácil de memorizar. Nessa etapa eu levava o xale na bolsa e tricotava em todo lugar. Tricotar essa renda me dava um enorme prazer.

trico em prosa - uma prenda delicada - Xale Geschenk

Gráfico C
Algo muito legal nessa receita é que podemos parar de tecer o xale a qualquer momento, em qualquer uma das linhas 6 à 12 do gráfico B ou então em qualquer linha do gráfico C. Eu preferi tricotar o gráfico C inteiro e só depois arrematar.

Arremate
Para o arremate, foi a primeira vez que usei o arremate em i-cord, com uma pequena diferença: esse i-cord é reverso, executado em ponto tricô no lugar do ponto meia. Foi um tanto enfadonho, nessa altura a borda superior tinha muitos e muitos pontos para arrematar, mas combinou demais com essa peça!

Considerações finais
Esse xale foi tecido em 10 dias, finalizado cinco dias antes do aniversário. Foi a primeira vez que usei esse fio. Resistente, ele é formado por três cabos bem torcidos. Mas quando molhei a peça para bloqueá-la, minha mão ficou com minúsculas fibras de algodão. Depois de seco, não vi nenhuma fibra na toalha sobre a qual o xale secou. Mas achei estranho. Sorte que xales não precisam ser lavados com tanta frequência!

Depois de bloqueada a peça ficou com 181 centímetros de comprimento, meu comprimento preferido para cachecóis, e com 39 centímetros de altura. Percebi que a ponta direita, a que foi arrematada primeiro, ficou mais repuxada que a ponta esquerda. Iniciei o arremate apertado e terminei mais frouxo. Ao dobrar o xale pelo meio nota-se essa diferença de comprimento. Então da próxima vez, lembrar de arrematar frouxo.

trico em prosa - uma prenda delicada - Xale Geschenk

Essa receita é perfeita quando desejamos usar pequenas quantidades de fio porque ele é tecido de baixo para cima. Como o barrado é trabalhado primeiro, basta continuar até ter fio suficiente para arrematar.

Outra qualidade dessa receita é sua versatilidade, já que essa peça pode ser usada sobre os ombros como um xale ou estola, ou enrolada em volta do pescoço como um lenço ou cachecol.

Receita: Geschenk de Rosemary (Romi) Hill
Obs: a designer autorizou a tradução para português
Composição: 100% algodão
Fio: Pingouin Tropfil na cor 317 vermelho Soviet
Agulha: circular numeração 3,50mm de 1 metro de comprimento e arremate com 4mm

Veja esse projeto no Ravelry

um xale para o verão

A verdade é que eu não me cabia em mim de vontade de tricotar esse xale, com sua renda plena de flores de campânula.

trico em prosa.com - um xale de verão - Xale Dorothy

Para tecê-lo, não desgrudei os olhos dos gráficos. Repleto de duplas laçadas, a atenção também deve ser dupla. Além disso algumas linhas são trabalhadas também no lado avesso. Os erros que cometi foram descobertos rapidamente, sem necessidade de desmanchar muito, exceto por um, horroroso, percebido tardiamente, do qual falarei mais tarde.

Início
A borda superior desse xale não é trabalhada em cordões de tricô e sim com uma renda bem delicada, diferente.

trico em prosa.com - um xale de verão - Dorothy

O início desse xale não foi simples. Por três vezes tentei montar os pontos mas não conseguia pegar os pontos na lateral nem onde os pontos foram montados. Hora de parar e estudar.

Pesquisando no grupo da designer Jane Araújo no Ravelry eu encontrei essa dica.

A solução foi usar a montagem e-loop sugerida pela designer. Montei os pontos usando essa técnica, teci a primeira carreira, olhei bastante para ver como havia ficado e determinei onde levantaria os pontos nessa extremidade. Segui as demais instruções e funcionou, consegui montar os pontos da borda superior e parti para o gráfico da primeira repetição.

O corpo
Queria fazer o tamanho do xale indicado na receita, com quinze motivos de flor de campânula em cada metade do xale. Para obter quinze motivos em cada metade seriam necessárias oito repetições do gráfico.

Depois que terminei a primeira repetição, pausa para desmanchar e recomeçar usando agulha de numeração menor. Troquei a agulha 4mm pela 3,5mm.

Nos primeiros dias as repetições fluíam rapidamente, a quantidade de pontos nas agulhas ainda era pequena. Usei marcadores de pontos nas laçadas duplas. No prazo de uma semana havia concluído seis repetições e cada metade do xale já exibia onze motivos de flor.

trico em prosa.com - um xale de verão - Dorothy

Na segunda semana estava trabalhando a penúltima repetição do corpo, era o dia do meu aniversário e descobri um erro terrível bem no início do xale, lá na segunda repetição. Isso me deixou muito, muito chateada. Estava pensando em presentear o xale, mas nunca o faria com esse erro horrendo. E não estava nem um pouco a fim de desmanchar até a segunda repetição para refazê-lo.

trico em prosa.com - um xale de verão - Dorothy

Cogitei isolar e desmanchar apenas as colunas de pontos desse elemento e refazer a renda usando agulhas de pontas duplas, como foi mostrado nessa publicação. Quando se trata de tranças é um processo fácil e já fiz algumas vezes. Mas como seria refazer pontos rendados?

Para ter uma ideia do tamanho da tarefa, isolei a coluna e desmanchei apenas a primeira linha. Logo vi que não seria fácil. Refazer renda, que nesse caso é trabalhada algumas vezes também pelo avesso, com um fio tão fino e duplas laçadas… Me acovardei. Então decidi o seguinte: eu exibirei esse erro gritante por aí, esse xale será meu.

A barra
Na terceira semana concluí a oitava e última repetição do corpo e iniciei os gráficos da barra. Nessa altura havia tantos pontos nas agulhas que demorei uma semana para concluir a barra e arrematar. E o arremate em correntinha de crochê, levei três dias para concluir, crochetando no carro, no clube, sempre que tinha uma brechinha.

trico em prosa.com - um xale de verão - Dorothy

O fio
Resolvi experimentar o fio Esterlina e comprei três novelos para tecer esse xale, são 690 metros. Usei menos da metade do terceiro novelo. No mínimo haveria duas junções de fio no trabalho.

Quando o fio acaba, nunca junto um novo fio dando nó do lado avesso. A trama do tricô não é estática, está sempre se ajustando, se acomodando às trações impostas ao manusear a peça, seja ao usá-la ou lavá-la. Sempre há o risco do nó passar para a frente do trabalho e se acomodar ali.

O que faço quando o fio vai acabar é trabalhar até restar uns 15 centímetros, então pego o novo fio deixando sobrar outros 15 centímetros desse fio também. Segurando os dois fios, com as pontas em direções opostas, trabalho dois pontos consecutivos em fio duplo. Então solto o fio mais curto e passo a tricotar com o novo novelo. Fica firme, e sem nó algum. No avesso ficam as duas pontas que serão embutidas na fase de acabamento. E depois de embutidas, fica imperceptível, profissional. Se for um fio mais grosso, trabalho em fio duplo apenas um ponto e basta.

trico em prosa.com - um xale de verão - Dorothy

O primeiro novelo de Esterlina não tinha nenhuma emenda. Já o segundo veio com duas emendas, dois nós super apertados. Tive de cortá-los. Eu já previa dois pares de pontas no avesso porque usaria três novelos. Mas no final, foram quatro pares de pontas, mais a ponta da montagem dos pontos e a ponta do arremate. Mas ficou perfeito, imperceptível, mesmo usando um fio tão fino.

trico em prosa.com - um xale de verão - Dorothy

O xale cresceu bastante depois de bloqueado na sua forma final. É incrível como esse amontoado de pontos cresce depois de molhado e se transforma num verdadeiro xale ao ser bloqueado! Vê-lo esticadinho no chão da sala espetado nas placas de E.V.A me deu uma sensação muito boa!

Apesar dos nós eu gostei muito do fio, do seu caimento, do tato, é fresco!
Tricotar esse xale foi uma delícia!

Receita: Dorothy de Mawelucky/Jane Araújo
Fio: Coats Corrente Esterlina 5
Composição: 100% algodão mercerizado
Agulhas: circular número 3,5mm de 1 metro de comprimento

Veja este projeto no Ravelry

um xale para vestir

Um dia, enquanto segurava o xale Bitterroot nas minhas mãos fiquei pensando no quanto ele era gostoso ao tato. Me deu vontade de vestir uma blusa fresca como aquele xale! Por que não utilizar os gráficos de um xale para tecer uma blusa de algodão?

A ideia era fazer uma blusa de manga raglã. Os aumentos da manga raglã seriam trabalhados como as bordas direita e esquerda do xale. Mais tarde, navegando pelo Ravelry, vi uma receita linda de xale criado pela designer alemã Sue Berg. Sempre que olhava esse xale, via a blusa que eu queria tecer para mim.

trico em prosa.com - um xale para vestir - Blusa Goldmarie

Da inspiração para o planejamento e posterior ação levou mais ou menos uns seis meses. Primeiro, reli alguns capítulos dos dois livros da Elizabeth Zimmermann que tenho, o Knitting Without Tears e o livro Knitter’s Almanac para entender o sistema de porcentagem da Elizabeth Zimmermman (EPS em inglês). Além disso, risquei, rabisquei, fiz contas. Tive de adaptar o sistema da EZ pois teceria de cima para baixo (top-down) e queria o decote mais amplo.

Para a amostra eu tricotei o padrão do corpo da blusa, ou seja, a sequência [*1m, 3t, 3m, 3t*, 1m], repetindo os pontos entre parênteses. Depois de molhada e seca, cada repetição mediu 5 centímetros. Para obter 100 centímetros na altura do busto eu precisaria de 20 repetições, ou 200 pontos.

Como a blusa é top-down, montei aproximadamente 65% do total dos pontos do busto para iniciar o decote. Acrescentei 2 pontos guias nos quais eu trabalharia os aumentos para as mangas raglã. A distribuição dos pontos do decote ficou assim: 41 pontos para a frente, 2 pontos guia, 21 pontos para a manga direita, 2 pontos guia, 41 pontos para as costas, 2 pontos guia e 21 pontos para a manga esquerda. No total, montei 132 pontos para o decote.

trico em prosa.com - um xale para vestir - Blusa Goldmarie

A volta de ajuste distribuiu os pontos da seguinte maneira: 1m, [1m, 3t, 3m, 3t] x 4, 2m, marcador, 1m, [1m, 3t, 3m, 3t] x 2, 2m, marcador, 1m, [1m, 3t, 3m, 3t] x 4, 2m, marcador, 1m, [1m, 3t, 3m, 3t] x 2, 2m. Fechei a volta para tricotar circularmente, coloquei um marcador (diferente dos demais) para indicar seu início e tricotei a primeira volta realizando os aumentos para a manga. Alternei uma volta de aumentos, com outra sem aumento nenhum. Os pontos que aumentava foram trabalhados na volta seguinte obedecendo a mesma sequência de pontos usada na amostra, ou *1m, 3t, 3m, 3t*.

Foi apenas na décima quinta volta que iniciei a linha 1 do gráfico C da receita do xale. Quem acompanha a página do Tricô em Prosa no Facebook, sabe que eu tive de fazer a pala da blusa duas vezes. O fio acabou e só então me dei conta de que não tinha outro novelo! Não encontrei o mesmo lote para comprar e havia diferença muito grande na cor do novo fio. A saída foi comprar dois novelos do novo lote e recomeçar com o novo fio. A primeira pala que teci tinha dois níveis de folhas, já na segunda tentativa eu resolvi fazer quatro níveis de folhas.

trico em prosa.com - um xale para vestir - Blusa Goldmarie

Como pede a receita do xale, na parte rendada da pala trabalhei as linhas 1 a 24 do gráfico C e depois repeti as linhas 5 a 18 mais 3 vezes. Algumas modificações que fiz: após o mate duplo que forma a ponta da folha eu trabalhei esse ponto em tricô por mais quatro voltas, e b) na última repetição do gráfico, para retornar ao padrão do corpo da blusa, não trabalhei as laçadas das linhas 11, 13 e 15.

Quando alcancei a quantidade de pontos necessária para separar as mangas do corpo (360 pontos), ainda não havia profundidade suficiente para a cava do braço. Então prossegui mais cinco centímetros sem fazer nenhum aumento e só então coloquei os 80 pontos de cada manga em fios descartáveis. A circunferência do peito ficou com os 200 pontos que eu precisava.

trico em prosa.com - um xale para vestir - Blusa Goldmarie

A manga ficou um pouco abaulada, com uma pequena(?) saliência para fora, fato que irei ignorar solenemente.

Entretanto, posso explicar o motivo que levou a isso. Eu deveria ter trabalhado os aumentos da manga raglã até que houvessem 160 pontos para a circunferência do peito e 60 pontos para cada manga, ou 280 pontos totais. Se eu tivesse parado nesse ponto, eu poderia separar as mangas em fios descartáveis e, ao retomar os pontos da circunferência do peito, montar 20 pontos embaixo de cada manga. Desse modo, eu teria os 200 pontos necessários para a circunferência do peito e ainda deixaria a manga embutida, ajustada perfeitamente ao braço.

Sabe o que me impediu de fazê-lo? Foram as repetições extras para tecer quatro níveis de folhas na pala. Ao finalizar os quatro níveis de folhas, já contabilizava 200 pontos para a circunferência do peito e 80 pontos para cada manga. A única saída para o impasse seria desmanchar e deixar a blusa com dois níveis de folhas, assim faria os aumentos até ter 280 pontos totais. Só que eu não mais queria desmanchar… Bem, no final decidi deixar do jeito que estava e conviver com o resultado.

trico em prosa.com - um xale para vestir - Blusa Goldmarie

Para deixar a barra da blusa com o mesmo barrado do xale eu repeti o gráfico C e depois trabalhei o gráfico D.

Tecer essa blusa foi um desafio, desgastante em alguns momentos. Mas aquela sensação quando superamos as dificuldades é mais do que compensadora. Gostei muito do resultado final!

Um feliz 2014 para você!

Receita: Goldmarie de Sue Berg
Fio: Círculo Anne na cor 7382 Marrom
Composição: 100% algodão
Agulhas: agulhas circulares número 2,75mm de 1 metro de comprimento

Veja esse projeto no Ravelry