A vó Ziquinha é um exemplo. Uma das coisas que mais admiro nela é a naturalidade com que ela acompanha as mudanças de comportamento das novas gerações. Para ela é natural que os costumes mudem. Ela não faz comentários saudosistas, não julga nem compara. Ela respeita e apoia as escolhas dos filhos e netos. Nos sentimos amados, acolhidos e respeitados. Sua companhia é um deleite. Vó, um dia ainda serei tão jovem quanto você!

Eu queria mesmo era cobrir minha vovó de flores! Então decidi tricotar um xale de presente para ela. Um xale vermelho, porque é amor, porque é calor, é meu bocado de flores e mais flores para abraçá-la.
no começo, flores
Escolhi essa receita porque ela foi inspirada no xale Laminaria da talentosa Elizabeth Freeman, do qual compartilha um ponto de flores típico dos xales estonianos.
Montei os pontos do xale em março e fiz questão de tecê-lo no meu tempo, sem estipular prazos e sem atropelos. Esse xale foi tricotado basicamente nos sábados, domingos e feriados. Claro que durante os dias de semana eu tricotei, mas pouco.
Repeti o gráfico de flores 13 vezes porque queria um xale de tamanho maior.

Eu tricoto usando o método continental, segurando o fio com a mão esquerda, de modo que o fio sempre fica naturalmente esticado. Para realizar o ponto estrela de dois para nove e também o ponto estrela de três para nove, eu precisava me atentar em manter esse fio bem frouxo.
Recomendo atenção nas linhas 1, 2 e 3 do gráfico de flores. Algumas vezes ao realizar a linha dois do gráfico, no avesso do trabalho, deixei cair um dos nove laços do ponto estrela e todos os demais laços se desmancharam. Tive de desmanchar até aquele ponto na carreira anterior para refazer a estrela. O mesmo ocorre se algum ponto acima da estrela cair ao trabalhar a linha três, as pétalas viram um emaranhado de fios. Eu cometi esse erro na linha três duas vezes e tive de desmanchar até a linha um para refazê-la.
borda e barrado
Depois de concluir o gráfico das flores devemos primeiro tecer os gráficos da borda, que são três gráficos, e só então tecer o gráfico do barrado.
A novidade dos gráficos de borda é que neles temos de realizar os nupps. Escolhi fazer os nupps com nove voltas, e não sete. Com a ajuda desse vídeo aprendi a fazê-los com uma agulha de crochê. Fica bem mais fácil. Primeiro usei uma agulha de crochê de numeração 3,5mm. Entretanto, ficou bem mais confortável depois que a troquei por outra de numeração 2,5mm.

Enquanto tecia a borda, surgiu uma oportunidade de visitar minha avó. Se conseguisse terminar o xale em dez dias eu poderia entregá-lo para ela. Naquela etapa, terminar em dez dias, tricotando apenas de noite, seria: a) terminar a borda, b) tecer o gráfico do barrado, c) embutir as pontas, d) bloquear, e) esperar secar. Não, impossível em dez noites. Isso foi um pouco desanimador. Durante a semana que antecedeu essa visita eu não toquei mais no pobre xale. Só voltei a tricotá-lo uma semana depois, quando surgiu uma oportunidade de visitar meus pais!
Armei-me de paciência ao tecer a primeira linha do gráfico do barrado. É a mais lenta de se trabalhar porque combina nupps com ponto estrela de dois para nove em cada repetição.

Arrematar os pontos também levou muito tempo. Eu não arrematei com fio duplo, foi com fio simples mesmo. Na fotografia acima está o xale do jeito que saiu das agulhas, todo amassadinho.
banho e dos alfinetes
Engraçado como em nenhum momento, enquanto tricotava esse xale, achei que os pontos ficariam parecidos aos das dezenas de fotografias dessa receita que vi no Ravelry. Tudo seria resolvido no momento em que a peça fosse molhada e alfinetada bem esticadinha, eu pensava. Não foi o que aconteceu. Depois de bloqueado na sua forma final, eu ainda não reconhecia os pontos na minha frente.

O que eu via era tão estranho que tive de analisar melhor aquela trama. Talvez os laços dos pontos estrela estivessem muito frouxos. Talvez não soube dar forma ao xale. Talvez seria apenas o cansaço, já era noite. Amanhã, mais descansada, bloquearia o xale novamente. No dia seguinte, antes de mergulhar a peça na água, joguei o xale sobre os ombros e fui olhar no espelho. Ali na minha frente, reconheci os pontos do xale, ali estavam os pontos que queria ver. Ufa!
Antes de bloqueá-lo em sua forma final, o xale media 88 centímetros de envergadura por 48 centímetros de altura. Suas dimensões cresceram para 122 centímetros de envergadura por 62 centímetros de altura.
Ele pesa 176 gramas. Foram quatro bolas de Coats Corrente Esterlina 5, sendo que usei muito pouco fio da quarta bola. O fio da terceira bola acabou quando faltava apenas três carreiras do gráfico do barrado mais o arremate para terminar.
Receita: Echo Flower Shawl de Jenny Johnson Johnen
Fio: Coats Corrente Esterlina 5 na cor 34, 4 bolas
Composição: 100% algodão
Agulhas: circular Addi Lace numeração 3,50mm de 1 metro de comprimento
Veja esse projeto no Ravelry
