ravelry – onde está a receita?

Uma página de receita no Ravelry contém tanta informação que merece uma publicação só para ela! Não vou cobrir todos os aspectos da página, mas vou mostrar aqueles que uso com mais frequência.

Geralmente, ao visitar uma página de receita eu procuro saber:

  • “Onde está a receita? Faz parte de um livro ou foi publicada em um blog?”
  • “Qual é a amostra da receita?”
  • “Qual é a numeração da agulha sugerida?”
  • “Se é grátis, onde está o link para acessá-la? Posso baixá-la?”
  • “Se é paga, onde está o link para comprá-la?”
  • “Onde estão outras fotografias das peças tricotadas com essa receita?”

Acho importante ressaltar que a página de uma receita no Ravelry contém todos os seus detalhes mas não contém a receita em si. O texto da receita pode ter sido publicado em um blog ou em um livro, ou pode ter sido disponibilizado como download grátis do Ravelry, ou pode estar à venda em uma loja online. Seja qual for a fonte, a página da receita traz o link para acessar o texto da receita no blog, ou o link para comprar o livro, ou o link para baixar o PDF, ou ainda o link para a loja online que vende aquela receita.

As guias de uma página de receita
Passo 1: para começar, vamos acessar a página da receita do cardigã Trellis no Ravelry.

Uma página de receita tem várias guias na parte superior, como mostra a figura abaixo:

As guias que vemos na figura acima são “detalhes”, “ideias de fios”, “projetos”, “filas”, etc.

Importante: qualquer pessoa pode ver uma página de receita no Ravelry, mas para ter acesso às guias é preciso ter uma conta e estar conectado usando a senha. Se você não tem conta no Ravelry, leia esse tutorial detalhado e crie a sua.

G U I A   D E T A L H E S
Ao acessar a página de uma receita, a guia detalhes é a primeira que aparece. Nela encontramos as informações básicas da receita. Na figura abaixo vemos os dados básicos do cardigã Trellis. Em vermelho coloquei a tradução de alguns termos:

Nome da designer: ao clicar no nome da designer acessamos todas as receitas que ela cadastrou no Ravelry.

Publicado em: fonte onde a receita foi publicada. Ao clicar nesse link, acessamos todas as receitas dessa fonte.

Categoria: clicando na categoria, podemos consultar todas as receitas que foram cadastradas no Ravelry com aquela categoria.

Etiquetas: são etiquetas (ou tags) utilizadas para buscas rápidas. Clicando em cada etiqueta acessamos outras receitas que foram cadastradas com a mesma etiqueta.

Disponibilidade: Na figura acima, veja que a receita do cardigã Trellis está disponível de graça. Ao clicar no link available for free acessamos a receita na página onde ela foi publicada.

Também encontramos receitas que são disponibilizadas como download grátis do Ravelry, como a receita do Xale Ginkgo Shoulderette. Veja na figura abaixo o texto “This pattern is available as a free Ravelry download“. Devemos clicar nesse link para baixar o arquivo PDF contendo a receita.

Algumas receitas pagas podem ser compradas no próprio Ravelry, como a receita do Xale Azurite da talentosa Grace Karen. As receitas que podem ser compradas no Ravelry são exibidas com o preço e o link para a loja online, como você vê na imagem abaixo:

Também temos as receitas que foram publicadas em revistas ou livros. Como exemplo, escolhi a página da receita do casaco February Baby Sweater, da Elizabeth Zimmermann, porque essa receita foi publicada em vários de seus livros. Veja:

Clicando no link da publicação você acessa a página do livro ou revista no Ravelry. Essa página poderá conter o link da loja online para adquirir tal publicação.

Outras informações
Na coluna da direita da guia “detalhes” encontramos diversas informações, mas gostaria de comentar sobre os ícones que ficam no topo da coluna:

Ao clicar no ícone de coração, você adiciona a receita para sua própria lista de favoritos.

Se você tricotou essa receita, clicar em “cast-on” é a maneira mais rápida de adicionar um projeto dessa receita à sua própria página de projetos no Ravelry. Para saber mais, leia a postagem ravelry – duas maneiras de adicionar projetos.

Ao clicar no ícone “add to queue” você adiciona essa receita à sua própria lista de futuros projetos. Saiba mais lendo a postagem ravelry – lista de projetos.

G U I A   P R O J E T O S
Na guia “projetos” podemos ver fotografias de todos os projetos que foram tricotados com a receita que estamos consultando.

Como exemplo, vamos consultar a guia de projetos da receita do casaco February Baby Sweater. Veja parte dessa guia na figura abaixo. No dia em que capturei essa tela, havia 7.401 projetos tricotados com essa receita:

Também podemos filtrar os projetos usando os diversos filtros disponíveis na tela. Na imagem acima marquei um deles com o número 1. Quero mostrar esse filtro com mais detalhes porque me divirto bastante com ele. Veja as traduções dos termos:

Com esse filtro escolhemos ver apenas os projetos terminados ou apenas os projetos que foram marcados como favoritos, ou apenas os projetos que nós mesmos marcamos como favoritos, etc.

G U I A   P U B L I C A Ç Ã O   D E    B L O G S
A guia “publicações de blogs” exibe uma lista de postagens que tem como assunto a receita que está sendo consultada. São postagens de tricoteiras cadastradas no Ravelry, que relacionaram seus projetos do Ravelry com as publicações de seus blogs.

Para exemplificar, vamos consultar a guia “publicações de blogs” da receita do casaco February Baby Sweater para ver todas as publicações que tratam sobre esse famoso casaquinho. Elas são exibidas em ordem cronológica, as mais atuais primeiro:

Para saber como ligar seu projeto do Ravelry com as publicações do seu blog, leia o tutorial ravelry – ligar postagens do blog aos projetos.


Espero que esse tutorial proporcione horas de divertidas pesquisas no viciante universo de Ravelry!

meias Baudelaire: simplesmente inebriantes

Minha primeira meia tricotada dos dedos para cima. Na verdade, é a terceira versão!

Meias Baudelaire

A primeira versão foi tricotada com agulhas número 2,50mm. Conforme progredia, experimentava a meia tranquilamente. Depois que terminei o calcanhar e avancei para a perna comecei a ter dificuldades em vesti-la pois o meu calcanhar não passava pela perna da meia.

A questão é que na altura da perna o painel de folhas da parte frontal é repetido na parte traseira, o que reduz bastante a elasticidade da trama. Além disso, as laterais que dividem os painéis de folhas era composta de uma trança de quatro pontos entre duas faixas de três pontos tricô, o que também não contribui para melhorar a elasticidade.

A designer Cookie A oferece uma alteração para aumentar o dorso da meia fazendo uma manobra na qual a trança de quatro pontos passaria a ser uma trança de oito pontos. Mas eu não consegui fazer essa manobra de maneira alguma…

Meias Baudelaire

Parti para a solução mais rápida: desmanchar apenas a perna e tricotá-la novamente usando agulhas número 2,75mm e agulhas número 3,00mm nos últimos 10 centímetros. A circunferência aumentou o suficiente para que meu calcanhar passasse, com certo esforço. Eu conseguia calçar a meia, mas as tranças laterais da perna praticamente desapareceram, pois a trama ficou extremamente esticada. Decididamente, não estava nem um pouco bonito.

Resolvi alterar os pontos laterais entre os dois painéis de folhas. No lugar de uma trança de quatro pontos entre as faixas de ponto tricô eu tricotei uma barra 2×2 que é bem mais elástica. O toque foi trançar as colunas em meia a cada 4 voltas. O preço dessa solução foi desmanchar a meia até os dedos para refazer as laterais do painel de folhas desde o início e assim garantir uma transição uniforme ao atingir a altura da perna. Também acrescentei 8 pontos para que a volta da perna ficasse com 72 pontos no total e não os 64 previstos para o tamanho médio. Essa solução achei bem mais agradável visualmente:

Meias Baudelaire

O bom de tricotar meias é que são rápidas, não são nem um pouco entediantes e são facilmente transportáveis. Some-se à isso o fato de que o ponto de folhas das meias Baudelaire ser muito fácil de memorizar. Delícia!

Receita: Meias Baudelaire por Cookie A
Obs: acesse a tradução autorizada dessa receita
Fio: Heritage Solids & Quatro Colors da Cascade Yarns na cor Ameixa
Agulha: Jogo de cinco agulhas de pontas duplas número 2,5mm, número 2,75mm e número 3,00mm

Veja esse projeto no Ravelry

This is my first toe-up socks. In fact, it’s the third version!The first version was knit with US 1½ needles. As I progressed, I would try it and it was all right. After finishing the heel, I started the leg and began having problem to try it because my heel wouldn’t pass through the leg of the sock.

The issue is that the at the leg, the frontal panel of leaves is repeated at the back and it reduced it’s elasticity. Besides that, the sides that divide the panel of leaves have a four stitch cable between two bands of three purl stitches, which doesn’t increase the elasticity.

Designer Cookie A offers a modification to increase the gusset by doing a manouver in which the four stitch cable would became an eight stitch cable. But I didn’t managed to do this manouver…

At first I headed to the faster solution: frog only the leg and knit it again using #US 2 needles and #US 3 needles on the last 4 inches of the leg. The circunference increased enough to suit my heel and it passed through the leg, with a little effort. I could try the socks, but I could hardly see the cables at the sides of the leg because the knit was extremely stretched. Definitely, it wasn’t beautiful at all.

I decided to alter the side stitches between the two panels of leaves. Instead of a four stitch cable between the bands of purl stitches I knitted a 2×2 ribbing which have more stretch. I added one small detail by twisting the knit stitches of the ribbing every 4 rounds. The price of this solution it that I had to frog the sock till the toe and redo the sides of the front panel of stitches since the beggining and therefore assuring an uniform transition when reaching the leg. I also added 8 stitches so that the round of the leg would have 72 stitches instead of the 64 stitches expected for the medium size. I found this solution much nicer, visually speaking:

It’s good to knit socks because their fast projects, they’re not boring at all and they’re easily portable. Plus, the pattern of leaves of Baudelaire sock is very ease to memorize. It’s a joy!

Pattern: Baudelaire Socks by Cookie A
Yarn: Heritage Solids & Quatro Colors da Cascade Yarns – colorway Plum
Needles: Set of five double pointed needles US 1½, US 2 and US 2,5

See this project at Ravelry

tutorial – arremate costurado da EZ

Estou refazendo o meu casaco Lauriel bem devagarinho. Mas tomei alguns minutos para fotografar e escrever um tutorial sobre o arremate costurado “unventado” pela Elizabeth Zimmermann.

Arremate Costurado da EZ

Ele é super flexível e, justamente por esse motivo, foi o arremate que escolhi para a gola do casaco Baby Sophisticate do Benício.

Leia as instruções na página Arremate costurado da Elizabeth Zimmermann.

algum progresso, talvez

Essa semana completa pouco mais de um mês desde que montei os pontos do meu casaco Lauriel. Ele já está bem avançado, falta apenas tricotar a manga direita, pregar os botões e embutir os fios. Mas pode ser que eu desmanche uma parte considerável do corpo, pelos motivos que explicarei em seguida.

Cardigan Lauriel

Uma questão é o comprimento do casaco, bem mais longo do que eu imaginava. No início achei legal mas agora quero deixá-lo pelo menos uns 10 centímetros mais curto. Do jeito que está, não tem jeito de usar o casaco com todos os botões fechados. Como é um casaco mais justo, deveria ter trabalhado alguns aumentos para acomodar o quadril.

Cardigan Lauriel

Outro bom motivo aparece na fotografia acima. Veja que a barra do casaco possui várias sequências de dois pontos meias torcidos. Agora acompanhe essa sequência e você encontrará uma sequência intrusa com três meias torcidos. Falei para mim mesma que esse errinho seria a prova de que fui eu mesma quem tricotou o casaco… mas ainda não me convenci!

Cardigan Lauriel

Fico hesitando, mas aquela voz interior não se cansa de dizer que desmanchar é a coisa certa a fazer. Meu marido também concorda com essa voz, ele diz que agora é a hora, que mais tarde vou me arrepender. Eu vou continuar ignorando ambas as vozes até que a manga direita esteja pronta. Então vou experimentar o casaco, ver no espelho como ele fica com as duas mangas e vou desmanchar.

Vou desmanchar as duas barras dos botões e depois vou desmanchar uns 20 centímetros do corpo do casaco. Em seguida vou me sentar feliz da vida e tricotar tudo novamente, agradecida por ter tido a chance de refazer da maneira certa.
É assim que eu sou!

Receita: Lauriel do livro Little Red In The City de Ysolda
Fio: Cisne Merino, cor 4025
Agulhas: circular Addi Lace número 3,0mm de 100 cm de comprimento

Veja este projeto no Ravelry

o que poderia sair errado?

Depois de tricotar as amostras, finalmente montei os pontos do cardigã Lauriel. Feliz, tricotei em todos os momentos possíveis. Ultimamente, tenho tricotado após minha corrida noturna no clube. Ritual gratificante: termino minha corrida, faço algum abdominal, muito alongamento, depois uma ducha deliciosa e vou para o restaurante para esperar meu marido. É nessa hora que consigo tricotar pouco mais de uma hora sem intervalos.

Rapidamente concluí a gola do cardigã e, de pouco em pouco, terminei os aumentos que formam as mangas. Pronta para tricotar o corpo, deveria então colocar os pontos das mangas em espera transferindo-os para um fio descartável.

Lauriel

Não estava nem um pouco preocupada afinal eu tinha a) lido a receita várias vezes, b) confirmado que tinha em estoque a quantidade de fio necessária para tricotar todo o cardigã, e c) trabalhado as amostras para escolher a agulha correta. Tudo como manda o figurino. O que poderia dar errado?

Antes de transferir os pontos das mangas aproveitei para contá-los. Para minha surpresa a conta não conferiu. Contei de novo. E contei mais uma vez. Não tinha jeito, uma manga tinha 5 pontos a mais que a outra. Cinco! Será que o excesso de empolgação fez com que eu me esquecesse de contar os aumentos à medida em que avançava as carreiras?

Lauriel

Nesses casos só tem uma coisa a ser feita: desmanchei várias e várias carreiras quase chegando ao início dos aumentos das mangas. Agora, após várias corridas no clube, alcancei o ponto onde havia parado e as mangas estão idênticas.

É a primeira vez que tricoto um casaco sem costuras com modelagem tradicional dos casacos costurados. Como podemos ver nessa fotografia, esse cardigã não tem pala circular. Suas mangas tampouco são raglãs. São mangas encaixadas tradicionais iniciadas a partir da gola e sua modelagem é embutida em cada carreira. Na fotografia abaixo, podemos ver a página do livro Little Red In The City mostrando o esquema geral do Lauriel com a modelagem das mangas:

Lauriel

Para terminar, gostaria de parafraser Coração Tranquilo de Walter Franco: tudo é uma questão de manter a mente contado, as mãos tricotando e o coração tranquilo!

Receita: Lauriel do livro Little Red In The City de Ysolda
Fio: Cisne Merino, cor 4025
Agulhas: circular Addi Lace número 3,0mm de 100 cm de comprimento

Veja este projeto no Ravelry

After knitting the swatches, I finally casted on the stitches of Lauriel cardigan. I felt extremely happy and I knitted at every time it was possible. Lately, I’ve been knitting after my night runs at the club. It was a gratifying ritual: I finished running, worked some abs, stretched a lot, then I went to take a good shower and afterwards I went to the restaurant to wait for my husband. That’s when I could knit more than one hour without interruption.

I finished the collar very quickly and, bit by bit, I finished the increases that shape the sleeves. When everything was ready for the beginning of the body, I should put the sleeve stitches on hold on a waste yarn.

I wasn’t worried at all, because a) I had read the pattern several times, b) I made sure I had the quantity of yarn that was needed to knit the entire cardigan, and c) I had knit the swatches to pick up the right needle. I did everything expected from a “serious” knitter. What could go wrong?

Before putting the stitches on hold I took the time to count them. Surprisingly the count didn’t match. I counted them again. And I counted one more time. It was worthless, one sleeve had 5 stitches more than the other one. Five! The excess of enthusiasm had made me forget to count the increases as I knitted the rows?

There was only one thing to do: I frogged several rows back to the beginning of the increases for the sleeves. Now, after lots of runnings at the club, I reached the point I was before and the sleeves are identicle.

This is the first time I knit a seamless cardigan with sleeves that have the tradicional shape of set-in sleeves. As we can see in this photograph, this cardigan doesn’t have a circular yoke. It’s sleeves aren’t raglan sleeves, also. Those are tradicional sleeves started from the collar down and it’s shape is worked on each row. In the photograph below, we can see the page of the book Little Red In The City that shows the overall schema of the Lauriel cardigan with the shape of the sleeves.

Before I finish, I’d like to paraphrase Walter Franco‘s Coração Tranquilo: it’s only a matter of keeping the mind counting, the hands knitting and the heart calm!

Pattern: Lauriel from the book Little Red In The City by Ysolda
Yarn: Cisne Merino, color 4025
Needles: 40 inch circular Addi Lace US #6

See this project on Ravelry