o que poderia sair errado?

Depois de tricotar as amostras, finalmente montei os pontos do cardigã Lauriel. Feliz, tricotei em todos os momentos possíveis. Ultimamente, tenho tricotado após minha corrida noturna no clube. Ritual gratificante: termino minha corrida, faço algum abdominal, muito alongamento, depois uma ducha deliciosa e vou para o restaurante para esperar meu marido. É nessa hora que consigo tricotar pouco mais de uma hora sem intervalos.

Rapidamente concluí a gola do cardigã e, de pouco em pouco, terminei os aumentos que formam as mangas. Pronta para tricotar o corpo, deveria então colocar os pontos das mangas em espera transferindo-os para um fio descartável.

Lauriel

Não estava nem um pouco preocupada afinal eu tinha a) lido a receita várias vezes, b) confirmado que tinha em estoque a quantidade de fio necessária para tricotar todo o cardigã, e c) trabalhado as amostras para escolher a agulha correta. Tudo como manda o figurino. O que poderia dar errado?

Antes de transferir os pontos das mangas aproveitei para contá-los. Para minha surpresa a conta não conferiu. Contei de novo. E contei mais uma vez. Não tinha jeito, uma manga tinha 5 pontos a mais que a outra. Cinco! Será que o excesso de empolgação fez com que eu me esquecesse de contar os aumentos à medida em que avançava as carreiras?

Lauriel

Nesses casos só tem uma coisa a ser feita: desmanchei várias e várias carreiras quase chegando ao início dos aumentos das mangas. Agora, após várias corridas no clube, alcancei o ponto onde havia parado e as mangas estão idênticas.

É a primeira vez que tricoto um casaco sem costuras com modelagem tradicional dos casacos costurados. Como podemos ver nessa fotografia, esse cardigã não tem pala circular. Suas mangas tampouco são raglãs. São mangas encaixadas tradicionais iniciadas a partir da gola e sua modelagem é embutida em cada carreira. Na fotografia abaixo, podemos ver a página do livro Little Red In The City mostrando o esquema geral do Lauriel com a modelagem das mangas:

Lauriel

Para terminar, gostaria de parafraser Coração Tranquilo de Walter Franco: tudo é uma questão de manter a mente contado, as mãos tricotando e o coração tranquilo!

Receita: Lauriel do livro Little Red In The City de Ysolda
Fio: Cisne Merino, cor 4025
Agulhas: circular Addi Lace número 3,0mm de 100 cm de comprimento

Veja este projeto no Ravelry

After knitting the swatches, I finally casted on the stitches of Lauriel cardigan. I felt extremely happy and I knitted at every time it was possible. Lately, I’ve been knitting after my night runs at the club. It was a gratifying ritual: I finished running, worked some abs, stretched a lot, then I went to take a good shower and afterwards I went to the restaurant to wait for my husband. That’s when I could knit more than one hour without interruption.

I finished the collar very quickly and, bit by bit, I finished the increases that shape the sleeves. When everything was ready for the beginning of the body, I should put the sleeve stitches on hold on a waste yarn.

I wasn’t worried at all, because a) I had read the pattern several times, b) I made sure I had the quantity of yarn that was needed to knit the entire cardigan, and c) I had knit the swatches to pick up the right needle. I did everything expected from a “serious” knitter. What could go wrong?

Before putting the stitches on hold I took the time to count them. Surprisingly the count didn’t match. I counted them again. And I counted one more time. It was worthless, one sleeve had 5 stitches more than the other one. Five! The excess of enthusiasm had made me forget to count the increases as I knitted the rows?

There was only one thing to do: I frogged several rows back to the beginning of the increases for the sleeves. Now, after lots of runnings at the club, I reached the point I was before and the sleeves are identicle.

This is the first time I knit a seamless cardigan with sleeves that have the tradicional shape of set-in sleeves. As we can see in this photograph, this cardigan doesn’t have a circular yoke. It’s sleeves aren’t raglan sleeves, also. Those are tradicional sleeves started from the collar down and it’s shape is worked on each row. In the photograph below, we can see the page of the book Little Red In The City that shows the overall schema of the Lauriel cardigan with the shape of the sleeves.

Before I finish, I’d like to paraphrase Walter Franco‘s Coração Tranquilo: it’s only a matter of keeping the mind counting, the hands knitting and the heart calm!

Pattern: Lauriel from the book Little Red In The City by Ysolda
Yarn: Cisne Merino, color 4025
Needles: 40 inch circular Addi Lace US #6

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mãos à amostra!

Essa semana eu tricotei a amostra de meu futuro casaco, o Lauriel da Ysolda. Tricotar a amostra é a parte mais importante para não errar no tamanho do casaco. Explico:
a) Em primeiro lugar eu não estou usando o fio indicado na receita;
b) Em segundo, de nada adiantaria usar o mesmo fio já que cada um tricota com uma tensão própria, uns mais frouxo, outros apertado.

Tecer um casaco requer uma quantidade razoável de tempo e dedicação. Por isso é importante conhecer de antemão o que a dupla “número de agulha + espessura do fio” podem oferecer. Melhor tricotar uma bela amostra do que passar dias e dias tricotando seu casaco com a “leve impressão” que não está ficando do tamanho que imaginou.

Assim que arrematei os pontos da minha amostra, que foi tecida com agulha número 3.5mm, vi que 12 pontos mediam 5 centímetros. Era exatamente a quantidade de pontos indicada na receita! Mas toda precaução é pouca. Em seguida molhei essa amostra, removi todo o excesso de água apertando bastante com uma toalha e a dispus sobre outra toalha para secar. Ao medir a amostra úmida vi que a trama havia relaxado: 9 pontos mediam 5 cm, como podemos ver na fotografia abaixo:

Amostra Lauriel - agulha 3.5mm - úmida

Esperei a amostra secar para ver se não seria a água retida nas fibras que causaram essa diferença, como acontece com o algodão. Em parte foi isso que aconteceu. Depois de seca, cada 5 cm da amostra contém 11 pontos, como vemos na fotografia abaixo:

Amostra Lauriel - agulha 3.5mm - seca

Convenhamos, é muito mais confortável ver uma amostra aumentar seu tamanho ao ser lavada pela primeira vez do que descobrir que seu casaco recém tricotado relaxou depois da primeira lavagem!

A receita pede uma amostra onde 12 pontos meçam 5 cm, mas na minha amostra 11 pontos medem 5 cm. Significa que o casaco do livro foi tricotado com uma tensão mais apertada que a minha. É preciso trocar a agulha por outra de numeração menor. Usando uma agulha de número 3.0mm, teci outra amostra que coincidiu com a indicada na receita. Aqui está a fotografia da segunda amostra que tricotei, depois de molhada e completamente seca:

Amostra Lauriel - agulha 3.00mm - seca

Além da amostra coincidir, é preciso sentir sua trama nas mãos para ver se não ficou muito rígida ou muito mole. É sentindo a rigidez da trama que decido se não seria melhor trocar o fio por outro mais fino ou mais grosso.

Tenho pensado muito nesse assunto porque o site Tricoteiras lançou uma campanha irresistível, eu diria até irrecusável:

Nessa publicação do site Tricoteiras encontramos o passo-a-passo de como tricotar uma amostra, bloquear e medir. Diversão garantida!

Quando eu comecei a tricotar, pulava essa etapa e acabava com algumas surpresas não muito agradáveis. Um gorro muito grande, um xale que mais parecia um lenço… Sim, sim, eu faço amostra para tricotar xale! As designers de xale oferecem os valores da amostra para ajudar na substituição do fio. E agora sempre aproveito para verificar se o fio que escolhi vai substituir o original à altura!

À medida que tricotamos mais, que aprendemos mais, que lemos mais sobre tricô, fica claro que até as designers mais sensacionais humildemente tricotam suas amostras. Elas são a diferença entre o tricotar temeroso e o tricotar confiante. A própria Elizabeth Zimmermann tricotava as suas, e um dia ela escreveu que fazer amostras não é trabalho desperdiçado de maneira alguma, eles dão bolsos excelentes! Uma observação: minha amostra não vai virar bolso, vou desmanchar para usar o fio ao tricotar meu casaco!

casaco Flora

Este casaco foi tricotado com todo carinho e cuidado para a pequena Enanda, que completa 2 anos de vida. Perguntei à sua mamãe que cor ela gostaria que fosse o casaco que iria tricotar para sua filhota. Vermelho.

Cardiga Flora

Eventualmente pedi que ela escolhesse o modelo do casaco também, já que não conseguia me decidir. Ela escolheu justamente a receita que eu mais queria tricotar: o cardigã Flora, uma receita tão linda para uma garotinha!

Cardiga Flora

O fio Cisne Cetim foi uma grata surpresa. Comprei pela internet, sem nunca tê-lo tocado antes. Extremamente macio, é muito gostoso de tricotar. Usei exatos dois novelos para tricotar a gola, corpo e mangas do casaco. Para tricotar os bolsos usei muito pouco de um terceiro novelo.

Algo de novo que aprendi nesse projeto foi como costurar os bolsos. Basicamente usei as figuras 77 e 78 desse tutorial como orientação. Refiz a costura diversas vezes até que ficasse perfeito!

Cardiga Flora

Fiz uma modificação: como é tricotado de cima para baixo, iniciei o cardigã pela gola, para não ter de levantar esses pontos mais tarde. Depois de terminada a gola, montei 3 pontos de cada lado do casaco para trabalhar o corpo.

Cardiga Flora

A designer Kate Blackburn foi muito gentil ao permitir que eu publicasse a tradução do cardigã Flora para português. Thank you again, Kate!

Receita: Flora por Kate Blackburn
Fio: Fio Cisne Cetim, cor 298
Agulha: KnitPro circular núm. 5.5 mm de 100 cm de comprimento

Veja este projeto no Ravelry

This cardigan was knit with love and care for little Enanda who turns two. I asked her mommy which color she would like me to knit her daughter’s sweater. Red.Eventually I asked her to choose the pattern too, cause I couldn’t decide on it. She picked up the pattern I wanted to knit the most, Flora, such a beautiful pattern for a little girl!

Cisne Cetim yarn was such a great surprise. I bought it via internet, without having touched it ever. Extremally soft, it’s a pleasure to knit. I used exactly two skeins to make the collar, the body and the sleeves of the cardigan. I knitted the pockets using just a little bit from a third skein.

Something new I learned from this project was how to sew the pockets on. Basically I used figures 77 e 78 from this tutorial as a guide. I sew it several times until it was perfect!

I did one modification: as it’s knitted top down, I cast on the collar first, to avoid picking up this stitches later. After the collar was finished, I cast on 3 stitches at each side of the cardigan to work the body.

Designer Kate Blackburn was kind enough for allowing me to publish the translation of Flora cardigan into portuguese. Thank you again, Kate!

Pattern: Flora by Kate Blackburn
Yarn: Cisne Cetim yarn, color 298
Needles: circular KnitPro #US 9, 32 inches long

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filhote de coruja

Essa receita é de pulôver, mas eu a adaptei para tricotar um cardigã porque acredito ser mais fácil na hora de vestir o bebê.

Bebe Coruja

Para a barra de botões montei 5 pontos em cada extremidade. Cada motivo de corujas é separado por dois pontos tricôs então acrescentei mais dois pontos para separar o último motivo da barra de botões. No total, montei a quantidade de pontos indicada para o tamanho 6 meses + 12 pontos.

Bebe Coruja

Adquiri as duas receitas de corujas da Kate Davies: a receita Owlet com 10 tamanhos que vão de 6 meses à 12 anos e também a receita Owls para adultos.

Bebe Coruja

Acho que agora aprendi a pregar botões! Talvez…

Receita: Owlet por Kate Davies
Fio: Pingouin Noblesse na cor Platinado 1818
Agulhas: circular número 4,00mm de 1m de comprimento

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This pattern knits a pullover but I modified it to knit a cardigan, because I think it’s easier when dressing a baby.

For the buttonband I cast on 5 extra stitches at each side of the cardigan. Each owlet motif is separated by two purl stitches, so I added two stitches to separate the last owlet motif from the buttonband. I cast on the number of stitches indicated for size 6 months + 12 stitches.

I’ve purchased both owls patterns from Kate Davies: the Owlet pattern that comes with 10 sizes from 6 months to 12 years and also the Owls pattern for adults.

I think now I’ve learned how to sew buttons! Maybe…

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Pattern: Owlet by Kate Davies
Yarn: Pingouin Noblesse colorway Platinado 1818
Needles: circular US #6, 32 inches

receita traduzida – Cardigã Flora

Atualmente tenho muitas peças de bebês nas agulhas e uma delas é uma receita adorável!

O cardigã Flora é bem feminino, com gola e punhos em ponto arroz e bolsos com motivos de folha e flor. Só necessita de costuras para aplicar os bolsos ao casaco, já que ele é tricotado inteiramente sem costuras.

A designer Kate Blackburn foi muito gentil ao me autorizar a publicar a tradução do cardigã Flora para o português. Thank you, Kate!