algum progresso, talvez

Essa semana completa pouco mais de um mês desde que montei os pontos do meu casaco Lauriel. Ele já está bem avançado, falta apenas tricotar a manga direita, pregar os botões e embutir os fios. Mas pode ser que eu desmanche uma parte considerável do corpo, pelos motivos que explicarei em seguida.

Cardigan Lauriel

Uma questão é o comprimento do casaco, bem mais longo do que eu imaginava. No início achei legal mas agora quero deixá-lo pelo menos uns 10 centímetros mais curto. Do jeito que está, não tem jeito de usar o casaco com todos os botões fechados. Como é um casaco mais justo, deveria ter trabalhado alguns aumentos para acomodar o quadril.

Cardigan Lauriel

Outro bom motivo aparece na fotografia acima. Veja que a barra do casaco possui várias sequências de dois pontos meias torcidos. Agora acompanhe essa sequência e você encontrará uma sequência intrusa com três meias torcidos. Falei para mim mesma que esse errinho seria a prova de que fui eu mesma quem tricotou o casaco… mas ainda não me convenci!

Cardigan Lauriel

Fico hesitando, mas aquela voz interior não se cansa de dizer que desmanchar é a coisa certa a fazer. Meu marido também concorda com essa voz, ele diz que agora é a hora, que mais tarde vou me arrepender. Eu vou continuar ignorando ambas as vozes até que a manga direita esteja pronta. Então vou experimentar o casaco, ver no espelho como ele fica com as duas mangas e vou desmanchar.

Vou desmanchar as duas barras dos botões e depois vou desmanchar uns 20 centímetros do corpo do casaco. Em seguida vou me sentar feliz da vida e tricotar tudo novamente, agradecida por ter tido a chance de refazer da maneira certa.
É assim que eu sou!

Receita: Lauriel do livro Little Red In The City de Ysolda
Fio: Cisne Merino, cor 4025
Agulhas: circular Addi Lace número 3,0mm de 100 cm de comprimento

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o que poderia sair errado?

Depois de tricotar as amostras, finalmente montei os pontos do cardigã Lauriel. Feliz, tricotei em todos os momentos possíveis. Ultimamente, tenho tricotado após minha corrida noturna no clube. Ritual gratificante: termino minha corrida, faço algum abdominal, muito alongamento, depois uma ducha deliciosa e vou para o restaurante para esperar meu marido. É nessa hora que consigo tricotar pouco mais de uma hora sem intervalos.

Rapidamente concluí a gola do cardigã e, de pouco em pouco, terminei os aumentos que formam as mangas. Pronta para tricotar o corpo, deveria então colocar os pontos das mangas em espera transferindo-os para um fio descartável.

Lauriel

Não estava nem um pouco preocupada afinal eu tinha a) lido a receita várias vezes, b) confirmado que tinha em estoque a quantidade de fio necessária para tricotar todo o cardigã, e c) trabalhado as amostras para escolher a agulha correta. Tudo como manda o figurino. O que poderia dar errado?

Antes de transferir os pontos das mangas aproveitei para contá-los. Para minha surpresa a conta não conferiu. Contei de novo. E contei mais uma vez. Não tinha jeito, uma manga tinha 5 pontos a mais que a outra. Cinco! Será que o excesso de empolgação fez com que eu me esquecesse de contar os aumentos à medida em que avançava as carreiras?

Lauriel

Nesses casos só tem uma coisa a ser feita: desmanchei várias e várias carreiras quase chegando ao início dos aumentos das mangas. Agora, após várias corridas no clube, alcancei o ponto onde havia parado e as mangas estão idênticas.

É a primeira vez que tricoto um casaco sem costuras com modelagem tradicional dos casacos costurados. Como podemos ver nessa fotografia, esse cardigã não tem pala circular. Suas mangas tampouco são raglãs. São mangas encaixadas tradicionais iniciadas a partir da gola e sua modelagem é embutida em cada carreira. Na fotografia abaixo, podemos ver a página do livro Little Red In The City mostrando o esquema geral do Lauriel com a modelagem das mangas:

Lauriel

Para terminar, gostaria de parafraser Coração Tranquilo de Walter Franco: tudo é uma questão de manter a mente contado, as mãos tricotando e o coração tranquilo!

Receita: Lauriel do livro Little Red In The City de Ysolda
Fio: Cisne Merino, cor 4025
Agulhas: circular Addi Lace número 3,0mm de 100 cm de comprimento

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After knitting the swatches, I finally casted on the stitches of Lauriel cardigan. I felt extremely happy and I knitted at every time it was possible. Lately, I’ve been knitting after my night runs at the club. It was a gratifying ritual: I finished running, worked some abs, stretched a lot, then I went to take a good shower and afterwards I went to the restaurant to wait for my husband. That’s when I could knit more than one hour without interruption.

I finished the collar very quickly and, bit by bit, I finished the increases that shape the sleeves. When everything was ready for the beginning of the body, I should put the sleeve stitches on hold on a waste yarn.

I wasn’t worried at all, because a) I had read the pattern several times, b) I made sure I had the quantity of yarn that was needed to knit the entire cardigan, and c) I had knit the swatches to pick up the right needle. I did everything expected from a “serious” knitter. What could go wrong?

Before putting the stitches on hold I took the time to count them. Surprisingly the count didn’t match. I counted them again. And I counted one more time. It was worthless, one sleeve had 5 stitches more than the other one. Five! The excess of enthusiasm had made me forget to count the increases as I knitted the rows?

There was only one thing to do: I frogged several rows back to the beginning of the increases for the sleeves. Now, after lots of runnings at the club, I reached the point I was before and the sleeves are identicle.

This is the first time I knit a seamless cardigan with sleeves that have the tradicional shape of set-in sleeves. As we can see in this photograph, this cardigan doesn’t have a circular yoke. It’s sleeves aren’t raglan sleeves, also. Those are tradicional sleeves started from the collar down and it’s shape is worked on each row. In the photograph below, we can see the page of the book Little Red In The City that shows the overall schema of the Lauriel cardigan with the shape of the sleeves.

Before I finish, I’d like to paraphrase Walter Franco‘s Coração Tranquilo: it’s only a matter of keeping the mind counting, the hands knitting and the heart calm!

Pattern: Lauriel from the book Little Red In The City by Ysolda
Yarn: Cisne Merino, color 4025
Needles: 40 inch circular Addi Lace US #6

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mãos à amostra!

Essa semana eu tricotei a amostra de meu futuro casaco, o Lauriel da Ysolda. Tricotar a amostra é a parte mais importante para não errar no tamanho do casaco. Explico:
a) Em primeiro lugar eu não estou usando o fio indicado na receita;
b) Em segundo, de nada adiantaria usar o mesmo fio já que cada um tricota com uma tensão própria, uns mais frouxo, outros apertado.

Tecer um casaco requer uma quantidade razoável de tempo e dedicação. Por isso é importante conhecer de antemão o que a dupla “número de agulha + espessura do fio” podem oferecer. Melhor tricotar uma bela amostra do que passar dias e dias tricotando seu casaco com a “leve impressão” que não está ficando do tamanho que imaginou.

Assim que arrematei os pontos da minha amostra, que foi tecida com agulha número 3.5mm, vi que 12 pontos mediam 5 centímetros. Era exatamente a quantidade de pontos indicada na receita! Mas toda precaução é pouca. Em seguida molhei essa amostra, removi todo o excesso de água apertando bastante com uma toalha e a dispus sobre outra toalha para secar. Ao medir a amostra úmida vi que a trama havia relaxado: 9 pontos mediam 5 cm, como podemos ver na fotografia abaixo:

Amostra Lauriel - agulha 3.5mm - úmida

Esperei a amostra secar para ver se não seria a água retida nas fibras que causaram essa diferença, como acontece com o algodão. Em parte foi isso que aconteceu. Depois de seca, cada 5 cm da amostra contém 11 pontos, como vemos na fotografia abaixo:

Amostra Lauriel - agulha 3.5mm - seca

Convenhamos, é muito mais confortável ver uma amostra aumentar seu tamanho ao ser lavada pela primeira vez do que descobrir que seu casaco recém tricotado relaxou depois da primeira lavagem!

A receita pede uma amostra onde 12 pontos meçam 5 cm, mas na minha amostra 11 pontos medem 5 cm. Significa que o casaco do livro foi tricotado com uma tensão mais apertada que a minha. É preciso trocar a agulha por outra de numeração menor. Usando uma agulha de número 3.0mm, teci outra amostra que coincidiu com a indicada na receita. Aqui está a fotografia da segunda amostra que tricotei, depois de molhada e completamente seca:

Amostra Lauriel - agulha 3.00mm - seca

Além da amostra coincidir, é preciso sentir sua trama nas mãos para ver se não ficou muito rígida ou muito mole. É sentindo a rigidez da trama que decido se não seria melhor trocar o fio por outro mais fino ou mais grosso.

Tenho pensado muito nesse assunto porque o site Tricoteiras lançou uma campanha irresistível, eu diria até irrecusável:

Nessa publicação do site Tricoteiras encontramos o passo-a-passo de como tricotar uma amostra, bloquear e medir. Diversão garantida!

Quando eu comecei a tricotar, pulava essa etapa e acabava com algumas surpresas não muito agradáveis. Um gorro muito grande, um xale que mais parecia um lenço… Sim, sim, eu faço amostra para tricotar xale! As designers de xale oferecem os valores da amostra para ajudar na substituição do fio. E agora sempre aproveito para verificar se o fio que escolhi vai substituir o original à altura!

À medida que tricotamos mais, que aprendemos mais, que lemos mais sobre tricô, fica claro que até as designers mais sensacionais humildemente tricotam suas amostras. Elas são a diferença entre o tricotar temeroso e o tricotar confiante. A própria Elizabeth Zimmermann tricotava as suas, e um dia ela escreveu que fazer amostras não é trabalho desperdiçado de maneira alguma, eles dão bolsos excelentes! Uma observação: minha amostra não vai virar bolso, vou desmanchar para usar o fio ao tricotar meu casaco!

boina francesa Hélianthe

Outro gorro surpreendentemente rápido de tricotar! Este vai para Florianópolis e foi tricotado com muito cuidado e carinho para uma grande amiga. Foi ela mesma quem escolheu a cor, tão vibrante e feliz quanto a própria Claudiane!

Gorro Helianthe

As criações da francesa Circé Belles Boucles são adoráveis! A primeira receita que comprei dela foi da boina Trança de 16 Pontos e a segunda foi do gorro Rue du Collège.

Gorro Helianthe

Esta receita também é deliciosa de tricotar e muito simples! Novamente usei o método de montagem de pontos tubular e bloqueei o gorro usando um prato para secá-lo bem aberto. Adorei o resultado final e espero que a presenteada também goste!

Gorro Hélianthe

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Receita: Boina Hélianthe de Circé Belles Boucles
Fio: Cisne Cetim
Agulhas: circulares Addi 3.5mm e 4.0mm de 100cm de comprimento

Another hat surprisingly fast to knit! This one goes to Florianopolis and it was knit with care and love for a very good friend of mine. She picked up the color herself, which is so vibrant and happy as Claudiane is!

The creations of french Circé Belles Boucles are adorable! The first pattern I bought from her was 16 Sixteen Cable Hat and the second one was Rue du Collège hat.

This pattern was a pleasure to knit and it was also very easy. I used the tubular cast-on method again and blocked the hat with a plate for letting it dry wide open. I loved the final result final and hope my dear friend will love it too!

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Pattern: Boina Hélianthe by Circé Belles Boucles
Yarn: Cisne Cetim
Needles: circular Addi US #4 and US #6, 40 inches long

um gorro Gretel para a Júlia

Mais um gorro para minha sobrinha Júlia se manter quentinha nesses dias mais frios.

Gorro Gretel Cinza

Já tinha tricotado esse gorro alguns anos atrás, mas não me lembrava que ele fosse tão rápido! Montei os pontos na sexta-feira e no domingo fiz seu acabamento. Recomendo muito aprender a trançar sem agulha auxiliar. O trabalho flui muito mais rápido realizando as tranças dessa maneira.

Gorro Gretel Cinza

O fato é que eu gostei muito mais desse gorro que do primeiro, por três motivos que explicarei a seguir.

Primeiro: usei uma agulha de numeração menor. Na primeira vez que tricotei esse gorro eu usei agulha de numeração idêntica à sugerida pela receita, sem tricotar uma amostra antes. Como eu tricoto frouxo, ficou muito folgado. Agora ficou perfeito, exatamente do tamanho que eu queria.

Gorro Gretel Cinza

Segundo: outra decisão acertada foi usar a técnica de montagem de pontos sugerida pela designer, chamada de montagem de pontos tubular. Ela fez toda a diferença! Com a montagem tubular a barra fica muito mais bem acabada. Para aprender eu assisti esse vídeo que a designer Ysolda Teague disponibilizou em sua página web.

Gorro Gretel Cinza

Terceiro: assim que terminei o acabamento, eu bloqueei o gorro e as tranças ficaram muito mais definidas, abertas e visíveis. Para bloquear eu encharquei o gorro e em seguida retirei todo o excesso de água apertando cuidadosamente com uma toalha. Depois coloquei para secar bem aberto cobrindo um prato fundo.

Receita: Gretel por Ysolda Teague que também pode ser comprada no Ravelry
Fio: Pingouin Noblesse cor Platinado 1818
Agulha: circular número 3,5mm e 4,00mm

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