Essa semana eu tricotei a amostra de meu futuro casaco, o Lauriel da Ysolda. Tricotar a amostra é a parte mais importante para não errar no tamanho do casaco. Explico:
a) Em primeiro lugar eu não estou usando o fio indicado na receita;
b) Em segundo, de nada adiantaria usar o mesmo fio já que cada um tricota com uma tensão própria, uns mais frouxo, outros apertado.
Tecer um casaco requer uma quantidade razoável de tempo e dedicação. Por isso é importante conhecer de antemão o que a dupla “número de agulha + espessura do fio” podem oferecer. Melhor tricotar uma bela amostra do que passar dias e dias tricotando seu casaco com a “leve impressão” que não está ficando do tamanho que imaginou.
Assim que arrematei os pontos da minha amostra, que foi tecida com agulha número 3.5mm, vi que 12 pontos mediam 5 centímetros. Era exatamente a quantidade de pontos indicada na receita! Mas toda precaução é pouca. Em seguida molhei essa amostra, removi todo o excesso de água apertando bastante com uma toalha e a dispus sobre outra toalha para secar. Ao medir a amostra úmida vi que a trama havia relaxado: 9 pontos mediam 5 cm, como podemos ver na fotografia abaixo:
Esperei a amostra secar para ver se não seria a água retida nas fibras que causaram essa diferença, como acontece com o algodão. Em parte foi isso que aconteceu. Depois de seca, cada 5 cm da amostra contém 11 pontos, como vemos na fotografia abaixo:
Convenhamos, é muito mais confortável ver uma amostra aumentar seu tamanho ao ser lavada pela primeira vez do que descobrir que seu casaco recém tricotado relaxou depois da primeira lavagem!
A receita pede uma amostra onde 12 pontos meçam 5 cm, mas na minha amostra 11 pontos medem 5 cm. Significa que o casaco do livro foi tricotado com uma tensão mais apertada que a minha. É preciso trocar a agulha por outra de numeração menor. Usando uma agulha de número 3.0mm, teci outra amostra que coincidiu com a indicada na receita. Aqui está a fotografia da segunda amostra que tricotei, depois de molhada e completamente seca:
Além da amostra coincidir, é preciso sentir sua trama nas mãos para ver se não ficou muito rígida ou muito mole. É sentindo a rigidez da trama que decido se não seria melhor trocar o fio por outro mais fino ou mais grosso.
Tenho pensado muito nesse assunto porque o site Tricoteiras lançou uma campanha irresistível, eu diria até irrecusável:
Nessa publicação do site Tricoteiras encontramos o passo-a-passo de como tricotar uma amostra, bloquear e medir. Diversão garantida!
Quando eu comecei a tricotar, pulava essa etapa e acabava com algumas surpresas não muito agradáveis. Um gorro muito grande, um xale que mais parecia um lenço… Sim, sim, eu faço amostra para tricotar xale! As designers de xale oferecem os valores da amostra para ajudar na substituição do fio. E agora sempre aproveito para verificar se o fio que escolhi vai substituir o original à altura!
À medida que tricotamos mais, que aprendemos mais, que lemos mais sobre tricô, fica claro que até as designers mais sensacionais humildemente tricotam suas amostras. Elas são a diferença entre o tricotar temeroso e o tricotar confiante. A própria Elizabeth Zimmermann tricotava as suas, e um dia ela escreveu que fazer amostras não é trabalho desperdiçado de maneira alguma, eles dão bolsos excelentes! Uma observação: minha amostra não vai virar bolso, vou desmanchar para usar o fio ao tricotar meu casaco!
















