fotografia (quase) sem dor

Enquanto termino de tricotar o casaco Chickadee, gostaria de falar sobre fotografia. A fotografia é uma paixão anterior ao tricô: eu tenho duas câmeras reflex (uma digital e uma convencional), lentes intercambiáveis, livros sobre o assunto, etc. Amo! Imaginaram minha frustração por não ser capaz de capturar uma cor? Aconteceu pela primeira vez ao tentar fotografar um fio roxo: saiu azul, saturado, meio “radioativo”.

Depois de alguma pesquisa descobri que minha câmera altera tons de roxo para azul e satura os tons de vermelho. Na verdade, todas as câmeras digitais apresentam esse problema, em maior ou menor grau, pois a tecnologia atual ainda não é capaz de capturar fielmente todos os tons. Após testes e mais testes com minha câmera, descobri maneiras de diminuir essas distorções. É sobre isso que gostaria de prosear. Também gostaria de mostrar como fotografar a peça de tricô de maneira que seus pontos sejam destacados. Não citarei nenhum de programa de edição de imagem, e sim alguns cuidados que devemos ter antes de clicar.

1. Em ambientes fechados, escolher o horário com maior incidência de luz, entre as 12h e as 16h, e colocar a peça o mais próximo possível de uma grande fonte de luz natural. Eu tenho duas opções: em cima da cama ou na mesa de jantar, pois ambas são muito próximas à janela. Mas evito a incidência direta da luz do sol sobre a peça, pois isso aumenta muito o contraste entre a parte iluminada e as partes sombreadas criando sombras quase pretas, como as da fotografia abaixo:

Leyburn Socks

Em ambientes externos devemos escolher um horário em que a luz esteja suave, após as 17 horas, para evitar sombras duras.

2. Aumentar a sensibilidade do sensor da câmera ao fotografar em ambientes fechados faz com que não seja necessário tanta luz para fotografar bem. Eu configuro a câmera para usar ISO 400 ou 800. A fotografia não fica escura, o colorido fica mais bonito. Se não souber alterar a ISO de sua câmera, essa é uma boa oporturnidade para procurar o manual e aprender. Configurar a ISO correta faz toda a diferença.

Já em ambiente externos, onde a luz natural é abundante, altere a ISO para 100 ou 200.

3. Criar um jogo de claro e escuro posicionando-se ao lado da fonte de luz, de maneira que a luz recaia lateralmente sobre a peça. Ao fotografar sua peça, verá que um lado está mais iluminado que o outro. É esse jogo de luz e sombra que dará volume a cada ponto da peça, definindo-o. No meu caso, eu me posiciono ao lado da janela, nunca de frente ou de costas para ela.

Na fotografia abaixo mostro o fio roxo e a meia que tricotei com ele. Viu como a cor do fio ficou “radioativa”? Fotografei o fio por volta das 18h da tarde, já não havia muita luz. Ao fotografar a meia tecida com esse fio, agora em melhores condições de luz, consegui capturar a cor roxa. Esse tom ainda não é fiel ao original, mas ao menos não é nem azul nem radioativo! Essa fotografia foi feita por volta das 16 horas.

Note que o lado esquerdo da meia está mais iluminado que o direito. E veja que o lado direito, apesar de estar na sombra, não está preto e podemos distinguir cada ponto na área sombreada. Como a luz não incide diretamente sobre a meia, criou-se uma sombra suave.

4. Não usar luz de flash pois ela anula o jogo de luz e sombra já que ilumina o tricô frontalmente, deixando-o achatado, sem volume nenhum. Além disso, produz sombras muito escuras atrás da peça.

Vale lembrar que fotografia é o processo de grafar com luz. Ou seja, luz é fundamental. Quando não posso esperar pelo melhor horário para fotografar, também não espero que a câmera vá capturar as cores corretamente. Foi o que aconteceu na segunda fotografia do casaco Chickadee mostrada abaixo:

Veja como os tons de roxo e vermelho ficaram bem diferentes ao comparar uma fotografia bem iluminada com a outra. Na segunda fotografia até que dá para notar a cor vermelha, mas o roxo saiu praticamente preto. Era cedo, a luminosidade do dia ainda estava muito fraca. Como eu não podia fotografar em outro horário, ficou assim mesmo! Foi falta de escolha.

Para finalizar, tire um tempo para conhecer sua câmera. No caso do meu equipamento, as cores roxa e vermelha são capturadas com maior fidelidade somente em ótimas condições de luz. Do contrário essas cores distorcem muito. Como cada equipamento usa uma tecnologia própria, o que vale é fazer testes, ler o manual, conhecer bem a sua câmera. Só assim é que você vai conversar direito com ela e essa prosa vai render boas fotografias! Divirta-se!

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13 respostas em “fotografia (quase) sem dor

  1. Oi Valéria!
    Adorei saber isso, fotografar dentro de casa e ainda a noite é a pior opção, mas normalmente só tenho esse horário.
    O pior é que as vezes acaba saindo a minha própria sombra na foto, um horror!!
    Vou tomar mais cuidado e procurar onde muda o tal do ISO da câmera.
    Um beijo

  2. Valéria..
    Você tocou no meu ponto fraco….a fotografia.
    Não tenho nenhuma,veja bem, NENHUMA, intimidade com fotografia.
    E não é por falta de estímulo, desconhecimento, equipamento, nada. Meu sobrinho é um talentoso fotojornalista e meu marido é publicitário, vivo no meio.O que me falta mesmo é dom. Não tenho.
    E isso não é de hj…há uma estória que sempre é contada em reuniões familiares, de quando fui ao Pantanal com a Pentax do meu irmão..imagine o pior..e foi o que aconteceu!
    Tento caprichar ao máximo em minhas fotos,mas utlimamente é a parte que menos gosto de todo o processo tricotar/blogar.
    Mas, suas recomendações foram úteis e prestei bastante atenção…vamos ver na próxima foto…
    beijos
    :D

    • Puxa, Denise! Fiquei tocada com sua história do Pantanal… Dramática como sou, quando você disse “imagine o pior” eu pensei: “um jacaré comeu a Pentax!” Depois eu caí na real e ri de mim mesma. Olha, eu entendo quando diz que fotografar é a parte que menos gosta pois deve te causar muita ansiedade. Por outro lado, graças à tecnologia digital, atualmente não precisamos esperar para ver se a fotografia ficou boa! Pense em fotografar como uma brincadeira, sem obrigação de dar certo! E tire muitas fotografias de um projeto, geralmente são as últimas que ficam mais legais!

  3. Valéria,
    Quanta dica bacana. Não entendo absolutamente nada sobre fotografia. Essa dicas com certeza serão muito uteis.
    O meu tormento também é fotografar as peças para postar no blog.
    Bjo. Bom fim de semana

  4. Valéria, suas dicas são ótimas. Eu sofro muito para tirar fotos razoáveis dos meus trabalhos, você não imagina a quantidade de fotos ruins que descarto. rs
    Mas como você disse o mais importante é ler o manual e fazer experiências. E não se esquecendo que é preciso também um pouco de sensibilidade.

    bjs

  5. ah Valéria, minha querida tenho inveja da sua intimidade com as maquinas…xi eu nem tenho uma,fico tirando as fotinhas do celular…mas com certeza no dia que tiver uma, vou seguir seus paps..muito bom! Beijinhos com chuva!

  6. Oi Val,

    adorei as suas dicas de luz para as fotos.
    Eu diria que tenho até dom e sensibilidade, mas não tenho luz suficente para fotografar meus tricôs dentro de casa nem uma máquina dos deuses para tal hehehe
    quer saber? é como disse, o importante é brincar de fotografar e mostrar nossos projetinhos prontos para as amigas.
    Vou caprichar mais nos horários que sugeriu para fotografar.
    Obrigada.
    beijocas
    Nei

  7. oie Valeria…
    amiga, vc não existe!
    que ótimas dicas…eu adoro fotografias tbm, mas preciso urgente de um cursinho básico…rs
    mas tuas dicas vão me salvar por enquanto.
    Amei o post!
    Obrigada por dividir o que sabes.
    bjsss

  8. E eu que de fotografia só gosto de admirar…nem me interesso por um curso (não é a minha praia) imagine o quanto que foram importantes estas dicas que vc explicou SEM COMPLICAÇÕES.
    É como computador: adoro usar mas aprender sobre ele…tô fora, rs…
    Desse jeito, vc pode até despertar um interesse básico no assunto porque parece ser um bicho de sete cabeças da mesma forma que nos admiram aquelas pessoas que nada sabem sobre tricô e ficam admiradas qdo vê que “lemos” aqueles snaizinhos, rs…
    Vlw! Parabéns por sua habilidade com estes “caixotezinhos” misteriosos, para mim.
    Bjs…

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