cabeça louca

Um dia o Diogo me pediu um cachecol. Ganhou um gorro e meias-luvas de piratas. É que nessa época eu não estava muito entusiasmada em ficar semanas e semanas tricotando uma peça tão longa. Mas desde então sempre procurava alguma receita de cachecol para tecer para ele no futuro.

Anos mais tarde, ele me pediu meias-luvas. E em vez disso ganhou um cachecol. “A Val é cabeça louca”, diria o Dioguinho se pudesse voltar a ter cinco anos. Tem uma explicação: eu tinha finalmente encontrado uma receita perfeita de cachecol para fazer para ele.

blog Tricô em Prosa - cabeça louca - Simples meias-luvas para o Diogo

Enquanto eu esperava o casaquinho do Joaquim secar para poder pregar os botões, o bom tempo virou. Foram quatro dias de céu completamente nublado, que não deixava passar nenhuma fração de raio do sol. E o casaquinho não secava nunca.

Comecei a ficar incomodada por não ter nada para tricotar. Peguei o restinho de lã que sobrou do cachecol do Diogo e montei os pontos das prometidas luvas. Não segui nenhuma receita, mas me guiei pelas mitenes Fallberry da Anne Hanson para trabalhar o polegar, com pequenas modificações.

Montei 56 pontos usando a montagem tubular que aprendi vendo esses vídeos. O primeiro vídeo ensina a montar os pontos para barra 1×1 e o segundo ensina a reorganizar esses pontos para tecer em barra 2×2. Essa montagem cria uma barra elástica e arredondada.

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Então me pus a tecer essas luvas simples e deliciosas de se usar.

Para garantir que ambas as luvas ficassem idênticas, contei o número de voltas de cada etapa: punho, aumentos do polegar, palma e polegar propriamente dito. Aprendi a contar voltas no livro Getting Started Knitting Socks da Ann Budd. Agora conto voltas de tudo que será tricotado em dobro: mangas, barras de casacos, etc. Outra alternativa seria tricotar as duas luvas simultaneamente com uma única agulha circular longa, mas como eu sabia que iria desmanchar algumas vezes, decidi fazer uma de cada vez.

Os pontos dos dedos e do polegar foram arrematados usando o método tubular, que é costurado e produz uma borda idêntica à dos pontos montados, arredondada e elástica.

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A beleza da peça ficou por conta das cores do fio tingido artesanalmente pela talentosa Sandra Baroni. Adoro essa cor Abissal!

Depois de uma sequência de peças tecidas com fios 100% algodão ou com fios que mesclam acrílico com lã, achei fantástico voltar a tricotar com lã natural! Tinha me esquecido da maciez e da elasticidade natural da lã de merino, que torna tão confortável o ato de tricotar.

Receita: particular, não publicada
Fio: Tricô Tricô Fios Fingering Single Ply (descontinuado) – cor Abissal
Composição: 100% lã merino
Agulhas: Circular número 2,75mm de 1 metro de comprimento; e
um conjunto de 5 agulhas de pontas duplas na mesma numeração

Veja esse projeto no Ravelry

 

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12 respostas em “cabeça louca

  1. Valéria, ficaram perfeitas, um charme, E tecer a lã natural é tudo de bom, dá uma alegria, eu adorooo!!! Beijos!!!

  2. lindona Valéria! e obrigada pelas explicações, quando eu for fazer minha 1ª luva vou lembrar de você, beijos

  3. Valeria: como sempre estou encantada com seus projetos! Também é uma doçura ler seus textos! Parabéns!

  4. Oi Valéria, essas luvas ficaram lindas, como tudo q vc faz, vou tentar me aventurar
    tecer luvas e meias, que p/ mim parece um desafio.
    Muito obrigada pelas dicas.
    Beijinhos,
    Fátima Freitas

  5. Menina, gosto tanto de ouvir suas esplanações que quase nem lembro das luvas? rss elas ficaram perfeitas; acabamento admirável. Arrematar assim dá uma diferença louca na peça, parabéns pela paciência;) Eu uso contador de carreiras pra tudo, não vivo sem ele, mas tenho uma dificuldade incrivel em fazer pares… faço 3 luvas pra conseguir um par delas!
    Enfim, luvas lindas, vestidas admiravelmente, cor do meu gosto:)

    bjinhos

  6. Ficaram lindas.
    Incrível como cria peças indas e perfeitas com uma leveza, diria que sua habilidade é um dom divino.
    Parabéns!

    PS – eu teria que deixar o casaquinho secando uns 4 meses para conseguir tecer uma das mãos da luva e ainda assim sairia meia-boca

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