da cor do chocolate

A ideia era tricotar um casaco leve, de algodão, para me proteger do friozinho do ar-condicionado. E a cada dia e noite mais frios, crescia a vontade de tecer tal casaco. Encontrei a receita ideal, um modelo clássico do qual eu nunca me cansaria de usar.

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Ao estudar a receita pude identificar alguns “pontos de interesse”:
1) O fio que eu ia usar era mais fino que o indicado na receita;
2) A ideia de levantar pontos ao longo da borda para tricotar a gola da peça não me agradava. Eu queria tricotar a gola enquanto tecia a peça;
3) Queria um ponto diferente na gola;

Bem, este é o relato de como adaptei a receita para tricotar com uma amostra diferente.

Antes de mais nada, teci um quadrado de amostra no ponto jérsei (meia no direito, tricô no avesso) que lavei e deixei secar sem esticar com alfinetes porque é assim que vou lavar e secar o cardigã depois de pronto.

Amostra da receita em ponto jérsei:
17 pontos medem 10 cm, ou seja, 1 ponto mede 0,588 cm

Minha amostra em ponto jérsei:
23 pontos e 38 carreiras correspondem à um quadrado de 10 cm, ou seja, um quadrado de 1 cm tem 2,3 pontos e 3,8 carreiras.

Segundo a receita original, para tecer o tamanho médio eu deveria montar 44 pontos. Ao converter para centímetros temos: 44 pontos * 0,588 cm = 26 cm. Para obter 26 cm com a minha própria amostra, eu preciso montar 60 pontos, já que 26 cm * 2,3 pontos são 59,8 pontos, o que arredondei para 60 pontos.

Gola
Meados de agosto de 2017, escolhi o ponto da gola .Pelos meus cálculos, a gola da receita original mede aproximadamente 13 centímetros de largura. Tive de alterar o ponto que escolhi para que ficasse um pouco mais largo que o original. Ao aumentar a quantidade de pontos da repetição de 13 para 14, consequentemente a quantidade de carreiras passou de 20 para 24.
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Os quadrados com X no gráfico acima delimitam a seção de cordões de tricô na extremidade da gola. Eu providenciei dois gráficos, um para a faixa esquerda e outro para a faixa direita, com os cordões de tricô em lados opostos.

Para não levantar os pontos da gola depois de terminar a peça, eu segui a sugestão dessa tricoteira. Ela usou a montagem provisória para tecer a gola em ambas as direções. Na fotografia abaixo podemos ver o fio provisório “ancorando” os pontos do início da montagem.

Fiz o seguinte: montei os 30 pontos usando montagem provisória e trabalhei 57 carreiras da gola, sempre passando o primeiro ponto sem fazer. Não trabalhei os pontos do avesso na última carreira. Ao terminar, havia 28 pontos passados sem fazer na lateral da faixa. Transferi os pontos para uma agulha circular qualquer porque eu iria retomar esses pontos mais tarde. Cortei o fio deixando uma ponta de uns 20 cm. Removi o fio provisório que ancorava os pontos do início da montagem e trabalhei outras 57 carreiras na direção oposta, desta vez começando pela linha 13 do gráfico da gola para alinhar o desenho.

Assim, eu obtive uma faixa da gola com pontos vivos em ambas as extremidades, como mostra a fotografia abaixo. Essa fotografia foi tirada antes de levantar os pontos e posicionar os marcadores para iniciar a pala do suéter.

Virei a peça para trabalhar a carreira 58 do ponto da gola, que corresponde ao lado avesso, trabalhado em ponto tricô. Da mesma maneira que se inicia os pontos de um xale, trabalhei os primeiros 28 pontos do gráfico da gola, coloquei um marcador, 2t, coloquei um marcador, sem virar o trabalho, levantei 9 pontos na lateral da faixa (um ponto levantado em cada ponto passado sem fazer), coloquei um marcador, levantei mais 38 pontos, coloquei um marcador, levantei 9 pontos, coloquei um marcador, 2t, coloquei um marcador, e continuei tricotando os demais 28 pontos da segunda extremidade da gola.

Na agulha tenho: 28 pontos da gola + 60 pontos que deveria montar para o cardigã + 28 pontos da gola. Detalhando um pouco mais: são 28 pontos da gola direita, 2 pontos da frente direita do cardigã, 9 pontos da manga direita, 38 pontos das costas, 9 pontos da manga esquerda, 2 pontos da frente esquerda mais os 28 pontos da gola esquerda.

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Pala
A receita original pede que os aumentos das mangas raglãs sejam trabalhados até que haja 252 pontos na agulha, ou 252 * 0,588 = 148 cm. Para obter essa medida com a minha amostra, devo trabalhar os aumentos até que existam 340 pontos (148 cm * 2,3 = 340 pontos), isso sem contar os pontos da gola.

Em meados de setembro de 2017, quando terminei a pala, imediatamente comecei a trabalhar as mangas. Resolvi deixar o corpo do casaco para o final.

Mangas
Eu deveria trabalhar as diminuições da manga de maneira que, ao concluir, a circunferência da barra medisse 25 cm. Convertendo centímetros para pontos temos que 25 cm * 2,3 pontos = 57,5 pontos, que arredondei para 57 pontos.

As mangas têm altura de 37 cm, ou seja, 37 cm * 3,8 carreiras = 140,6 carreiras.

Cada manga inicia com 85 pontos, que devem ser diminuídos para 57 pontos. Ou seja, são 28 pontos diminuídos ao longo de 140 carreiras. Em cada volta de diminuição, duas diminuições são trabalhadas, então esses 28 pontos serão diminuídos em 14 voltas de diminuição.

Trabalhei cinco voltas em meia antes de iniciar as diminuições para a manga da seguinte maneira: * uma volta de diminuição, nove voltas em meia; repetir a partir de * até obter 59 pontos nas agulhas.

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Finalizei as mangas fazendo oito voltas em cordões de tricô e arrematei usando o método de arremate costurado da Elizabeth Zimmermann.

Corpo
Depois que terminei as duas mangas, retomei os pontos do casaco para terminar o corpo. Trabalhei duas pences laterais nas costas para acinturar. As diminuições iniciaram abaixo da altura do busto e prosseguiram por 24 carreiras. Já na altura do quadril, eu comecei a trabalhar os aumentos também por 24 carreiras.

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Quando alcancei a altura desejada para o corpo do casaco, havia muitos pontos para arrematar, então escolhi fazer o Arremate Surpreendentemente Elástico de Jenny porque não precisa cortar o fio deixando uma ponta imensa. Eram tantos pontos na barra do casaco que demorei mais de três horas para concluir o arremate.

Acabamento
Com muito trabalho, inclusive nos fins de semana, mal encontrei tempo para embutir os muitos fios que restaram na peça. Tentei fazê-lo várias noites enquanto “ouvia” o noticiário na tevê, algo que faço sempre. Mas a cor da peça e a iluminação artificial tornaram impossível ver com clareza o desenho da trama e eu não conseguia decidir por onde passar a agulha. Frustrante.

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Na primeira oportunidade que se apresentou, semanas mais tarde, passei toda uma tarde de domingo sob a notável iluminação natural de uma janela e embutir os fios foi um trabalho fácil e até mesmo prazeroso. Ufa! Foram oito meses tricotando essa peça.

Outra coisa: quando teci meus primeiros casaquinhos de bebê, notei uma diferença na tensão dos pontos das mangas em relação aos pontos do restante do casaco que era tricotado frente e verso, virando o trabalho no fim da carreira. Os pontos das mangas, trabalhados circularmente, sempre ficam visivelmente mais fechados que os pontos das costas, por exemplo. Para que isso não acontecesse nesse suéter, trabalhei todas as carreiras do lado direito com agulha número 3,50 mm e todas as carreiras do avesso com agulha número 3,00 mm, quando o trabalho não era circular.

Agora, casaco lavado e cheiroso, quando o visto, o sentimento é de alegria, satisfação e que conforto!

Receita: Amiga de Mags Kandis
Composição: 100% algodão
Fio: Círculo Anne 500 – cor 7382
Agulha: circular número 3,50 mm e 3,00 mm

Veja esse cardigã no Ravelry

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