umas boas meias de algodão

Meu plano de tecer meias usando fio de algodão teve início em meados de outubro. Essa é mais uma peça tecida inteiramente enquanto estive fora de casa, levada na bolsa, já que quando estava em casa só tive olhos para um xale que ainda estou tecendo com o maior zelo e carinho.

blog tricô em prosa - umas boas meias de algodão

Elas são extremamente confortáveis!

Minha primeira providência foi tecer as amostras. Uma amostra foi tecida em ponto jérsey e outra com o ponto escolhido para as meias, que foi retirado do livro Getting Started Knitting Socks da Ann Budd. Além de ensinar a tecer meias, o livro oferece vários pontos apropriados para sua confecção.

Esse ponto sempre esteve entre um dos meus favoritos. Combina colunas torcidas com ponto tricô, excelente para dar elasticidade às meias de algodão.

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Usando a matemática das meias fiz os primeiros cálculos e pude esboçar a receita. Para usar o ponto escolhido para as meias foram necessárias algumas adaptações e pronto, mandei bala!

As meias ficaram prontas em quinze dias. Os pontos do primeiro pé foram montados em meados de outubro e o segundo pé foi arrematado no início de novembro.

Entretanto, só pude fotografá-las agora porque minha câmera apresentou um defeito ainda no início de outubro, bem no dia em que fui fotografar o xale Goldmarie que teci para minha tia. Demorei algumas semanas para mandá-la para o conserto e outras mais foram necessárias para que ela retornasse. Como fez falta…

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Descobri que esse fio é muito grosso para tecer meias que serão usadas com sapatos fechados, fica apertado. Por esse motivo essas meias serão usadas principalmente para dormir.

Já providenciei outro fio de algodão, dessa vez um pouco mais fino, e com ele vou tecer a mesma receita. Quero ver se produz meias com espessura adequada para usar com sapatos fechados. Serão as próximas peças que passarão um bom tempo indo e vindo na minha bolsa enquanto termino de tecer aquele xale no conforto da minha casa.

Receita: particular
Fio: Pingouin Bella na cor 1815
Agulha: circular número 2,5mm e 2,75mm de 100 centímetros de comprimento

Veja essas meias no Ravelry

minhas meias da Meida

Essas meias andaram muito tempo dentro da minha bolsa. Enquanto tecia esse xale sempre que me encontrava em casa, senti falta de ter uma peça na minha bolsa para eu poder tricotar quando estivesse fora. E não tem peça melhor para levar na bolsa do que meias.

tricô em prosa - minhas meias da Meida

Eu ganhei esse fio de presente da Marico alguns anos atrás. Adoro a cor! Ele tem um porcentual de nylon na sua composição, importante no caso das meias porque aumenta a durabilidade. Além disso, ele vem com um carretel de fio 100% nylon que usei junto com o fio ao tricotar o calcanhar e os dedos da meia para reforçar essas partes que são mais propensas à formar buracos devido à fricção.

Para honrar o fio, escolhi uma receita bem bonita da Nancy Bush. Essa receita faz parte do livro Favorite Socks. A Nancy Bush conta que ganhou essas meias de presente de sua amiga Meida quando visitou a Estônia pela primeira vez e então as reproduziu.

tricô em prosa - Meias da Meida

O comprimento da perna foi a única modificação que fiz.

Eu queria tornar a perna mais longa. Pelo fato das tranças não serem tão elásticas, eu montei os pontos usando agulha de numeração 2,75mm. Com essa numeração eu teci sete repetições do gráfico.

Depois mudei para agulhas número 2,50mm e teci mais três repetições antes de iniciar o calcanhar. Assim, a circunferência da meia acompanhou a da perna, o que faz com que as meias não escorreguem. No total foram dez repetições do gráfico antes do calcanhar. A receita original pedia seis repetições.

tricô em prosa - Meias da Meida

Esse é um ponto muito fácil de memorizar, uma delícia de fazer. Uma novidade para mim foi a trança estoniana, feita de uma maneira um pouquinho diferente.

O calcanhar foi trabalhado em ponto de alvéolo, com pontos passados sem fazer, o que torna a trama bem resistente, perfeita para essa parte da meia. Foi a primeira vez que trabalhei esse ponto no calcanhar. Os alvéolos não ficaram tão visíveis, acredito eu, porque o calcanhar foi trabalhado com fio duplo.

Olha, com o calor que anda fazendo, com certeza muitas meias ainda virão!

Também gostaria de falar do 3° Encontro Gaúcho de Tricô. Serão ministradas diversas oficinas legais, vai ter concurso, passeios e outras diversões. Eu vou ministrar duas oficinas, uma sobre meias e outra sobre xales. Nos vemos por lá?

Receita: Meida’s Socks de Nancy Bush
Fio: Lang Yarns Jawoll Superwash Solids na cor vinho
Composição: 75% lã, 18% nylon, 7% acrílico
Agulha: circular na numeração 2,75mm e 2,50mm de 1 metro de comprimento

Veja esse projeto no Ravelry

um xale que reluz

Essa é a peça que tenho trabalhado nos últimos trinta dias. Foi tecida exclusivamente dentro de casa, com o maior cuidado, já que não queria correr nenhum risco com seu fio finíssimo e delicado. É um presente para minha tia Euzande. Evidentemente, enquanto tecia ia me lembrando de tantos momentos bons, de sua presença carinhosa e divertida.

Zande, esse xale é uma pequena amostra do amor que sinto por você. Que ele envolva você em boas energias, que irradie as boas lembranças, as risadas, as cartinhas que escrevi para você quando era criança, as viagens e tantas outras alegrias!

tricô em prosa - um xale que reluz - Xale Goldmarie

Foi minha prima Ana Luíza quem me disse que sua mãe gosta de amarelo. E eu tinha duas meadas guardadas no baú, de um amarelo que gosto muito, semelhante ao girassol.

Juntas elas somavam 860 metros de um fio muito macio, uma delícia na pele. Para que o xale não ficasse gigantesco, minha intenção era de usar pelo menos 600 metros. No final, o xale consumiu 535 metros e seu tamanho, ao meu ver, ficou excelente.

Achei o fio um pouco difícil de desmanchar. Sorte que tive de desmanchar pouquíssimas vezes. As meadas são do mesmo lote, mas ficou evidente que a segunda possui uma coloração mais intensa que a primeira. Dá para notar no barrado.

tricô em prosa - um xale que reluz - Xale Goldmarie

Para deixar o xale ainda mais especial, 540 contas de vidro foram tecidas nos motivos de folhas do barrado. As contas foram aplicadas com uma agulha de crochê fina o suficiente para passar pelo buraco da conta.

E fiz uma modificação ao tecer o gráfico do barrado: a receita instrui tecer as linhas 1 a 24 do gráfico C, depois repetir as linhas 5 a 18 e então passar para o gráfico D. Como eu queria aumentar mais um nível de folhas, teci as linhas do gráfico C da seguinte maneira: linhas 1 a 24, 5 a 24, 5 a 18 e só então passei para o gráfico D.

tricô em prosa - um xale que reluz - Xale Goldmarie

O xale é arrematado com correntinha de crochê. Bem, correntinha é a única coisa de crochê que (mal) sei fazer. E ainda tenho de me concentrar bastante para que ela não fique rígida.

Uma noite cheguei do trabalho determinada a arrematar o xale. Levei quase quatro horas, mas terminei! Minha concentração foi tamanha que não percebi minha má postura nem o quanto estava tensa.

Na manhã seguinte minha coluna doía tanto que eu mal conseguia andar. O xale estava finalizado, eu morria de vontade de bloqueá-lo na forma final, mas qualquer movimento que eu fizesse me causava dor. Só consegui molhar a peça e esticá-lo três dias depois.

tricô em prosa - um xale que reluz - Xale Goldmarie

Não é a primeira vez que eu tricoto essa receita. Já tinha usado seus gráficos para tecer uma blusa de algodão no ano passado. E com certeza vou usá-los novamente. Adoro esse ponto de folhas.

Agora preciso embalar o presente e enviar!

Receita: Xale Goldmarie de Sue Berg
*A designer autorizou a tradução da receita para o português
Fio: Malabrigo Yarn Lace – cor Sunset
Composição: 100% lã merino
Agulha: circular 3,50mm de 1 metro de comprimento

Veja esse projeto no Ravelry

como fazer seu tricô cintilante!

Depois de muito ensaiar, finalmente montei os pontos de um xale que será presenteado para uma pessoa muito querida e especial. Para tornar essa peça diferente, pensei em colocar algumas contas de vidro no barrado.

Eu teria de improvisar, porque na receita original não tem nenhuma conta. “Mas… e aquela apostila da Grace Burns?”, pensei. Entrei em contato com ela.

blog Tricô em Prosa - como fazer seu tricô cintilante!

Comprei a apostila, baixei o arquivo e … Mal consegui dormir naquele dia! Fui tomada por um excesso de inspiração. Tive de fazer um esforço enorme para ler todo o material porque, a cada técnica explicada, minha euforia era tamanha que eu divagava horrores, tinha mil ideias, só então me lembrava que não tinha terminado de ler a apostila. Eu literalmente sonhei com peças de tricô trabalhadas com miçangas, paetês e canutilhos.

A apostila “Tricotando com miçangas e outros adereços” é riquíssima. São vinte e duas páginas de pesquisa histórica, diferentes técnicas, exercícios e também uma receita. Recomendo muito.

Essa apostila foi usada na aula ministrada pela Grace Burns-Krebs no 3º Congresso de Tricô, que infelizmente não pude participar. Essa aula deve ter sido super divertida! Se estiver interessado, veja como adquirir sua apostila nessa publicação.

tricô em prosa - tricô cintilante!

A Grace é uma pessoa admirável! Além de ser uma designer estupenda, ela é uma estudiosa da arte do tricô, uma pessoa que genuinamente conhece do assunto. Seu blog é uma fonte de informação e inspiração que sempre consulto.

E o xale… Eu quase me esqueci do xale que queria tricotar! Só voltei a tecê-lo alguns dias depois, já com a emoção mais controlada. De alguma maneira eu consegui adiar minha repentina necessidade de tricotar meias, luvas e bolsas adornadas com miçangas.
Por enquanto.

cabeça louca

Um dia o Diogo me pediu um cachecol. Ganhou um gorro e meias-luvas de piratas. É que nessa época eu não estava muito entusiasmada em ficar semanas e semanas tricotando uma peça tão longa. Mas desde então sempre procurava alguma receita de cachecol para tecer para ele no futuro.

Anos mais tarde, ele me pediu meias-luvas. E em vez disso ganhou um cachecol. “A Val é cabeça louca”, diria o Dioguinho se pudesse voltar a ter cinco anos. Tem uma explicação: eu tinha finalmente encontrado uma receita perfeita de cachecol para fazer para ele.

blog Tricô em Prosa - cabeça louca - Simples meias-luvas para o Diogo

Enquanto eu esperava o casaquinho do Joaquim secar para poder pregar os botões, o bom tempo virou. Foram quatro dias de céu completamente nublado, que não deixava passar nenhuma fração de raio do sol. E o casaquinho não secava nunca.

Comecei a ficar incomodada por não ter nada para tricotar. Peguei o restinho de lã que sobrou do cachecol do Diogo e montei os pontos das prometidas luvas. Não segui nenhuma receita, mas me guiei pelas mitenes Fallberry da Anne Hanson para trabalhar o polegar, com pequenas modificações.

Montei 56 pontos usando a montagem tubular que aprendi vendo esses vídeos. O primeiro vídeo ensina a montar os pontos para barra 1×1 e o segundo ensina a reorganizar esses pontos para tecer em barra 2×2. Essa montagem cria uma barra elástica e arredondada.

blog Tricô em Prosa - cabeça louca - Simples meias-luvas para o Diogo

Então me pus a tecer essas luvas simples e deliciosas de se usar.

Para garantir que ambas as luvas ficassem idênticas, contei o número de voltas de cada etapa: punho, aumentos do polegar, palma e polegar propriamente dito. Aprendi a contar voltas no livro Getting Started Knitting Socks da Ann Budd. Agora conto voltas de tudo que será tricotado em dobro: mangas, barras de casacos, etc. Outra alternativa seria tricotar as duas luvas simultaneamente com uma única agulha circular longa, mas como eu sabia que iria desmanchar algumas vezes, decidi fazer uma de cada vez.

Os pontos dos dedos e do polegar foram arrematados usando o método tubular, que é costurado e produz uma borda idêntica à dos pontos montados, arredondada e elástica.

blog Tricô em Prosa - cabeça louca - Simples meias-luvas para o Diogo

A beleza da peça ficou por conta das cores do fio tingido artesanalmente pela talentosa Sandra Baroni. Adoro essa cor Abissal!

Depois de uma sequência de peças tecidas com fios 100% algodão ou com fios que mesclam acrílico com lã, achei fantástico voltar a tricotar com lã natural! Tinha me esquecido da maciez e da elasticidade natural da lã de merino, que torna tão confortável o ato de tricotar.

Receita: particular, não publicada
Fio: Tricô Tricô Fios Fingering Single Ply (descontinuado) – cor Abissal
Composição: 100% lã merino
Agulhas: Circular número 2,75mm de 1 metro de comprimento; e
um conjunto de 5 agulhas de pontas duplas na mesma numeração

Veja esse projeto no Ravelry