receita traduzida – Goldmarie

Faz tempo que procuro uma blog Tricô em Prosa - Tradução autorizada da receita do xale Goldmarie receita para usar com duas meadas de um fio especial que está guardado no meu baú. Quero usá-lo para tecer um xale.

Procurei minhas receitas de xale favoritas na minha conta do Ravelry e na minha fila de futuros projetos. Tantas possibilidades que não conseguia me decidir.

Foi então que me apaixonei… de novo.

Eu já tinha usado os gráficos dessa receita para tricotar uma blusa de verão com um fio 100% algodão, fresquinho. A fotografia à esquerda mostra um detalhe dessa blusa.

Bem, a designer Sue Berg gentilmente autorizou a tradução da receita para o português. O arquivo em formato PDF pode ser baixado do Ravelry em http://www.ravelry.com/patterns/library/goldmarie

Thank you very much, Sue!

Obs: para baixar a receita, acesse o link Ravelry_FreeDownloadacima, procure o quadrinho ao lado na coluna direita e clique em “download“. Veja nessa imagem outra maneira de baixar a tradução.

cardigã do vovô para o bebê

Eu estava morrendo de vontade de tricotar um casaquinho bem charmoso para manter o Joaquim quentinho e protegido, ele que é o bebê mais feliz e sorridente que já conheci. A receita estava guardadinha para ele, comprada há mais de um ano.

O casaquinho foi tecido com muito zelo. Algumas etapas foram rápidas, outras eu tive de refazer. O mais importante: ficou do jeito que eu queria e isso vale muito a pena.

blog tricô em prosa - cardigã do vovô - Cardigã Gramps

Ele é trabalhado sem costuras de baixo para cima. Montam-se os pontos da barra do casaco e tricota-se da barra até a cava das mangas. As mangas são tecidas separadas e depois são unidas ao corpo do casaco. Tricota-se a pala ao mesmo tempo que fazemos as diminuições das mangas raglã. Por último, levantamos os pontos da gola e da tira de abotoamento do casaco. Sem nenhuma costura, com exceção de uma dúzia de pontos em cada cava do braço.

a amostra

Minha primeira providência foi tricotar uma amostra para substituir o fio indicado na receita. Teci a primeira amostra no dia dos namorados, ou no dia da abertura da Copa do Mundo, durante o jogo do Brasil contra a Croácia. Nem cheguei a medir visto que a trama ficou frouxa demais. Usando agulhas menores, teci a segunda amostra que molhei, esperei secar e só então medi: certíssimo.

Decidi fazer o tamanho indicado para quatro anos para o Joaquim que completará dois anos em outubro, porque a modelagem do casaco é justa.

Montei os pontos da barra e rapidamente iniciei para as tranças. Que delícia de receita. Quando a peça media 21 centímetros, era hora de iniciar a modelagem do decote em V.

blog tricô em prosa - cardigã do vovô - Cardigã Gramps

Nesse ponto eu tive de parar para estudar em que ponto iniciaria as diminuições do decote de maneira que as tranças resistissem por mais tempo.

A receita trazia poucas instruções nesse sentido. Na descrição da receita no Ravelry, encontrei o link para uma publicação onde a designer explica que não faria sentido colocar as instruções detalhadas para cada tamanho. E ela tem razão. Ela deu uma dica de rearranjar os pontos trançados na agulha antes de fazer as diminuições do decote. Funcionou muito bem.

blog tricô em prosa - cardigã do vovô - Cardigã Gramps

Eu desenhei um gráfico com lápis e borracha para auxiliar. Nele desenhei as tranças, enumerei as carreiras e comecei a delinear onde seriam as diminuições do decote e até as da manga raglã, que iniciariam em poucas carreiras. Pude ver como eu trabalharia toda a pala. Foi bom investir tempo nesse gráfico porque me deu confiança e me mostrou que as tranças durariam um pouquinho mais se eu iniciasse o decote na carreira anterior à que eu estava.

mangas e pala

Os pontos das mangas foram montados num sábado, dia do jogo do Brasil contra Chile.

Muita gente no Ravelry reclamou que as mangas ficavam muito justas. Por precaução eu montei quatro pontos a mais. Teci metade da manga recusando-me a admitir que ela ainda estava muito justa. Finalmente desmanchei e montei oito pontos a mais que a quantidade pedida na receita.

Com a possibilidade de passar sete horas de viagem no banco do passageiro, preparei minha bolsa de tricô. Levei a manga iniciada, o corpo do casaco, tesoura, um novelo a mais, marcadores de pontos, agulha de tapeçaria e restinhos de fios. Até o gráfico com as diminuições do decote eu levei.

blog tricô em prosa - cardigã do vovô - Cardigã Gramps

Minha intenção era retornar da viagem de quatro dias com as mangas tecidas e unidas ao corpo do cardigã. A realidade foi bem diferente: durante a ida eu terminei a primeira manga e durante o retorno concluí a segunda.

De volta à casa, uni as mangas ao corpo e finalizei a pala em poucos dias. Aos poucos, os pontos diminuídos do decote V e das mangas raglã consumiam as tranças da pala, como era de se esperar. A aparência da pala ficou bem natural.

a tira de abotoamento e a gola

Os pontos da tira de abotoamento são levantados ao longo da frente direita do casaco, continua nos pontos “vivos” (não foram arrematados) da gola e são seguidos de pontos levantados na frente esquerda do casaco. Um total de 202 pontos levantados, que devemos tricotar aberto, virando o trabalho ao chegar no fim da carreira.

A forma arredondada da gola é obtida com carreiras encurtadas. Para trabalhar essas carreiras encurtadas eu usei essa técnica que foi compartilhada pela generosa Beatriz Medina no grupo de discussão de tricô que participo. É uma técnica espetacular: além de muito fácil, o acabamento é tão perfeito que não tem como ver onde a peça foi virada.

Eu fiz quatro casas para os botões trabalhadas numa única carreira (one row buttonhole.

não! um erro grotesco

Enquanto arrematava a gola usando o arremate surpreendentemente elástico da Jeny, pensava que seria legal escrever um passo-a-passo sobre esse arremate.

Foi nessa hora que vi um erro absurdo na parte final da pala. Eu mal acreditava nos meus olhos. Por alguma razão eu não mantive o padrão de intercalar tranças à direita com tranças à esquerda, justamente o que dá o efeito entrelaçado. Simplesmente trabalhei todas as tranças à esquerda.

blog tricô em prosa - cardigã do vovô - Cardigã Gramps

Pausa para desmanchar toda a gola e depois desmanchar toda a pala. Retornei ao ponto onde as mangas são unidas ao corpo. Decidi aproveitar para fazer duas alterações.

Primeira alteração: no quadrado da fotografia abaixo vemos uma coluna de quatro pontos meia que divide a manga raglã da pala. Vou alterar para que fique com três pontos.

blog tricô em prosa - cardigã do vovô - Cardigã Gramps

Segunda alteração: a tira de abotoamento é trabalhada em barra 2×2, iniciando e terminando com 2m. Na fotografia abaixo vemos que os primeiros 2m mais parecem 1m porque o primeiro ponto se curva para dentro. Vou iniciar e terminar com 3m, mas vou manter a barra 2×2 no restante do trabalho.

blog tricô em prosa - cardigã do vovô - Cardigã Gramps

Uma semana mais tarde, eu tinha refeito tudo!

A pala exibia as tranças nas direções certas e era separada da manga por uma coluna de três pontos. A tira de abotoamento iniciada e finalizada com 3m realmente ficou com um visual mais coerente com o restante.

blog tricô em prosa - cardigã do vovô - Cardigã Gramps

acabamento

Transferi os doze pontos da cava do braço e da manga para agulhas de pontas duplas e arrematei usando o arremate de três agulhas. Ficaram buracos enormes em cada extremidade do arremate. Desmanchei o arremate, levantei mais alguns pontos nas extremidades de cada agulha usando laçada torcida. Talvez os doze pontos iniciais de cada agulha tenham virado quatorze ou quinze. Funcionou muito bem. Ainda assim tive de fechar buraquinhos minúsculos que restaram quando fui embutir as pontas.

Escolhi botões de madeira para combinar com o casaco.

blog tricô em prosa - cardigã do vovô - Cardigã Gramps

Quando montei os pontos desse casaquinho, achei que terminaria em duas semanas. A triste verdade é que não tenho tanto tempo para tricotar. No meio da semana, só tricoto algumas noites. Nos fins-de-semana tenho mais tempo, mas nem sempre. E olha que eu tricotei esse casaquinho em todas as oportunidades que tive: levei na bolsa, levei ao clube para tricotar depois da academia, levei na viagem. Mesmo assim demorou um mês e meio para terminá-lo.

Achei uma delícia fazer essa peça. É uma receita muito bonita, nem um pouco monótona e com certeza vou tricotá-la novamente. A receita é paga, mas nem tudo é explicado. Temos de ponderar, pensar bastante no que deve ser feito. Acredito que essa receita seja mais indicada para uma tricoteira com mais experiência.

Meu marido acha que é o casaquinho mais bonito que já tricotei até hoje.
Eu acho que ele tem razão!

Receita: Cardigan Gramps de Kate Oates (pode ser comprada também no Ravelry)
Fio: Cisne Cetim – cor 04026
Composição: 70% acrílico, 30% lã
Agulhas: circulares de numeração 3,50mm e 4,00mm

Veja esse projeto no Ravelry

morango para aquecer

Esse é meu presente para a Ana Laura, uma bebezinha que logo logo vai descobrir nasceu na família mais amorosa que poderia existir.

Esse casaquinho faz conjunto com os sapatinhos de morango que terminei semana passada. Casaco e sapatinhos foram tricotados simultaneamente. Quando os sapatinhos entraram naquela fase dos adornos (flor e sementes) e tantos acabamentos, montei os pontos do casaco e levei na bolsa para tricotar em qualquer lugar.

blog tricô em prosa - Casaco Helena com receita traduzida para o português

É a segunda vez que eu tricoto essa receita e mais uma vez foi uma imensa alegria. É uma receita deliciosa de seguir.

Escolhi o tamanho três meses, mas acho que servirá a partir dos seis meses até um ano de idade.

Inicialmente eu queria tricotar o casaco todo em vermelho. O fio verde seria usado apenas para nas extremidades do casaco, ou seja, nas bainhas em picot das mangas e do corpo além da barra frontal e gola.

blog tricô em prosa - Casaco Helena com receita traduzida para o português

Mas o fio vermelho acabou na segunda repetição dos pontos rendados da saia, e eu nem tinha tecido as mangas. Como esse fio saiu de linha alguns anos atrás, estava cogitando desmanchar tudo, comprar outro fio e recomeçar. Então meu marido me deu a ideia de tecer a saia em verde.

Adorei o resultado!

blog tricô em prosa - Casaco Helena com receita traduzida para o português

A única modificação que fiz foi nas amarras, que trabalhei em i-cord e acrescentei uma pequena folha nas pontas, idêntica àquela que fiz nas amarras do sapatinho.

Bem, eu escrevi para a designer e ela prontamente permitiu que eu publicasse a tradução para o português de sua receita adorável.

Espero que a Ana Laura se sinta aquecida e confortável com esse conjuntinho tecido especialmente para ela.

Receita: Helena de Alison Green
Obs: A designer autorizou a tradução da receita
Fio: Pingoin Noblesse nas cores 353 (cereja) e 1642 (seiva)
Composição: 70% acrílico, 30% lã
Agulhas: circulares de numeração 3,50mm e 1 metro de comprimento

Veja esse casaco no Ravelry

um manto de flores

A vó Ziquinha é um exemplo. Uma das coisas que mais admiro nela é a naturalidade com que ela acompanha as mudanças de comportamento das novas gerações. Para ela é natural que os costumes mudem. Ela não faz comentários saudosistas, não julga nem compara. Ela respeita e apoia as escolhas dos filhos e netos. Nos sentimos amados, acolhidos e respeitados. Sua companhia é um deleite. Vó, um dia ainda serei tão jovem quanto você!

tricô em prosa - um manto de flores: xale Echo Flower tecido em algodão mercerizado

Eu queria mesmo era cobrir minha vovó de flores! Então decidi tricotar um xale de presente para ela. Um xale vermelho, porque é amor, porque é calor, é meu bocado de flores e mais flores para abraçá-la.

no começo, flores

Escolhi essa receita porque ela foi inspirada no xale Laminaria da talentosa Elizabeth Freeman, do qual compartilha um ponto de flores típico dos xales estonianos.

Montei os pontos do xale em março e fiz questão de tecê-lo no meu tempo, sem estipular prazos e sem atropelos. Esse xale foi tricotado basicamente nos sábados, domingos e feriados. Claro que durante os dias de semana eu tricotei, mas pouco.

Repeti o gráfico de flores 13 vezes porque queria um xale de tamanho maior.

trico em prosa - um manto de flores - xale Echo Flower

Eu tricoto usando o método continental, segurando o fio com a mão esquerda, de modo que o fio sempre fica naturalmente esticado. Para realizar o ponto estrela de dois para nove e também o ponto estrela de três para nove, eu precisava me atentar em manter esse fio bem frouxo.

Recomendo atenção nas linhas 1, 2 e 3 do gráfico de flores. Algumas vezes ao realizar a linha dois do gráfico, no avesso do trabalho, deixei cair um dos nove laços do ponto estrela e todos os demais laços se desmancharam. Tive de desmanchar até aquele ponto na carreira anterior para refazer a estrela. O mesmo ocorre se algum ponto acima da estrela cair ao trabalhar a linha três, as pétalas viram um emaranhado de fios. Eu cometi esse erro na linha três duas vezes e tive de desmanchar até a linha um para refazê-la.

borda e barrado

Depois de concluir o gráfico das flores devemos primeiro tecer os gráficos da borda, que são três gráficos, e só então tecer o gráfico do barrado.

A novidade dos gráficos de borda é que neles temos de realizar os nupps. Escolhi fazer os nupps com nove voltas, e não sete. Com a ajuda desse vídeo aprendi a fazê-los com uma agulha de crochê. Fica bem mais fácil. Primeiro usei uma agulha de crochê de numeração 3,5mm. Entretanto, ficou bem mais confortável depois que a troquei por outra de numeração 2,5mm.

trico em prosa - um manto de flores - xale Echo Flower

Enquanto tecia a borda, surgiu uma oportunidade de visitar minha avó. Se conseguisse terminar o xale em dez dias eu poderia entregá-lo para ela. Naquela etapa, terminar em dez dias, tricotando apenas de noite, seria: a) terminar a borda, b) tecer o gráfico do barrado, c) embutir as pontas, d) bloquear, e) esperar secar. Não, impossível em dez noites. Isso foi um pouco desanimador. Durante a semana que antecedeu essa visita eu não toquei mais no pobre xale. Só voltei a tricotá-lo uma semana depois, quando surgiu uma oportunidade de visitar meus pais!

Armei-me de paciência ao tecer a primeira linha do gráfico do barrado. É a mais lenta de se trabalhar porque combina nupps com ponto estrela de dois para nove em cada repetição.

trico em prosa - um manto de flores - xale Echo Flower

Arrematar os pontos também levou muito tempo. Eu não arrematei com fio duplo, foi com fio simples mesmo. Na fotografia acima está o xale do jeito que saiu das agulhas, todo amassadinho.

banho e dos alfinetes

Engraçado como em nenhum momento, enquanto tricotava esse xale, achei que os pontos ficariam parecidos aos das dezenas de fotografias dessa receita que vi no Ravelry. Tudo seria resolvido no momento em que a peça fosse molhada e alfinetada bem esticadinha, eu pensava. Não foi o que aconteceu. Depois de bloqueado na sua forma final, eu ainda não reconhecia os pontos na minha frente.

trico em prosa - um manto de flores - xale Echo Flower

O que eu via era tão estranho que tive de analisar melhor aquela trama. Talvez os laços dos pontos estrela estivessem muito frouxos. Talvez não soube dar forma ao xale. Talvez seria apenas o cansaço, já era noite. Amanhã, mais descansada, bloquearia o xale novamente. No dia seguinte, antes de mergulhar a peça na água, joguei o xale sobre os ombros e fui olhar no espelho. Ali na minha frente, reconheci os pontos do xale, ali estavam os pontos que queria ver. Ufa!

Antes de bloqueá-lo em sua forma final, o xale media 88 centímetros de envergadura por 48 centímetros de altura. Suas dimensões cresceram para 122 centímetros de envergadura por 62 centímetros de altura.

Ele pesa 176 gramas. Foram quatro bolas de Coats Corrente Esterlina 5, sendo que usei muito pouco fio da quarta bola. O fio da terceira bola acabou quando faltava apenas três carreiras do gráfico do barrado mais o arremate para terminar.

Receita: Echo Flower Shawl de Jenny Johnson Johnen
Fio: Coats Corrente Esterlina 5 na cor 34, 4 bolas
Composição: 100% algodão
Agulhas: circular Addi Lace numeração 3,50mm de 1 metro de comprimento

Veja esse projeto no Ravelry

uma prenda delicada

Ela não sabe mas desde o ano passado eu havia feito um compromisso comigo mesma de presenteá-la esse ano com um xale tecido à mão. Então um dia desses fui surpreendida pela proximidade da data de seu aniversário. Funcionando em modo de emergência, me armei com receita, agulhas e um fio de cor calorosa, que combina perfeitamente com a alegria da aniversariante. Feliz aniversário, Maryse!

trico em prosa - uma prenda delicada - Xale Geschenk

Confesso que no dia em que montei os pontos desse xale sentia uma espécie de medo crescente de não conseguir finalizá-lo a tempo. Não disponho de muito tempo livre para tricotar e eu queria tricotar uma peça rendada, o que requer checar o gráfico constantemente, contar os pontos com mais frequência, enfim, requer mais atenção. Na maioria dos xales que tricotei, a renda é trabalhada somente nas carreiras do lado direito sendo que as carreiras do avesso são trabalhadas unicamente em ponto tricô. Entretanto, nessa receita a renda é trabalhada em todas as carreiras. Cheguei a pensar que tinha escolhido a receita errada mas agora estou muito contente por ter persistido!

Gráfico A
O xale é tricotado de baixo para cima. Primeiro devemos tecer o gráfico A. De tempos em tempos, é necessário montar dezessete pontos no final de uma carreira, e depois montar dezoito pontos do final da carreira seguinte. Usei a montagem cable cast on no lugar da montagem tricotada.

O medo de não conseguir finalizar a tempo me acompanhou durante todas as linhas do primeiro gráfico. Aos poucos me familiarizei com sua construção e quando o gráfico A foi concluído, aconteceu o inesperado: tricotar esse xale tornou-se muito fácil! Tive certeza de que cumpriria o prazo com (bastante) folga!

trico em prosa - uma prenda delicada - Xale Geschenk

Gráfico B
A próxima etapa seria repetir o gráfico B quantas vezes quisesse. Para tecer as repetições desse gráfico eu precisava prestar atenção (aliás, bastante atenção) nas duas primeiras linhas. É nelas que acontecem os aumentos no final das carreiras e que os marcadores devem ser reposicionados.

Demorei um pouco para determinar os locais onde eu precisava de marcadores de pontos. Sem marcadores fica muito confuso. Então, uma dica que só vai fazer sentido para quem quiser tricotar essa receita. Eu usei 3 pares diferentes de marcadores. A Linha 1 do Gráfico B é trabalhada no avesso. Eu colocava um marcador na posição 8 da Linha 1 e outro idêntico na posição 8 da Linha 2. Colocava outro marcador na posição 18 da Linha 1 e outro idêntico na posição 18 da Linha 2. Também colocava marcadores para delimitar a parte contornada em vermelho no gráfico, de modo que um marcador ficava na posição 35 da Linha 1 e o outro era colocado 31 pontos antes do final dessa mesma Linha 1.

Outra dica é destacar com caneta hidrográfica os quadradinhos contendo o ponto pppt (ou sssk) na Linha 2 do Gráfico B, isso ajudou bastante. Essa dica aprendi nessa publicação da querida designer Paula Nina.

Eu repeti o gráfico B sete vezes. Sempre que alcançava a última linha do gráfico eu removia todos os marcadores à medida que os encontrava para então reposicioná-los nas duas linhas iniciais da próxima repetição do gráfico. As demais linhas seguem uma lógica fácil de memorizar. Nessa etapa eu levava o xale na bolsa e tricotava em todo lugar. Tricotar essa renda me dava um enorme prazer.

trico em prosa - uma prenda delicada - Xale Geschenk

Gráfico C
Algo muito legal nessa receita é que podemos parar de tecer o xale a qualquer momento, em qualquer uma das linhas 6 à 12 do gráfico B ou então em qualquer linha do gráfico C. Eu preferi tricotar o gráfico C inteiro e só depois arrematar.

Arremate
Para o arremate, foi a primeira vez que usei o arremate em i-cord, com uma pequena diferença: esse i-cord é reverso, executado em ponto tricô no lugar do ponto meia. Foi um tanto enfadonho, nessa altura a borda superior tinha muitos e muitos pontos para arrematar, mas combinou demais com essa peça!

Considerações finais
Esse xale foi tecido em 10 dias, finalizado cinco dias antes do aniversário. Foi a primeira vez que usei esse fio. Resistente, ele é formado por três cabos bem torcidos. Mas quando molhei a peça para bloqueá-la, minha mão ficou com minúsculas fibras de algodão. Depois de seco, não vi nenhuma fibra na toalha sobre a qual o xale secou. Mas achei estranho. Sorte que xales não precisam ser lavados com tanta frequência!

Depois de bloqueada a peça ficou com 181 centímetros de comprimento, meu comprimento preferido para cachecóis, e com 39 centímetros de altura. Percebi que a ponta direita, a que foi arrematada primeiro, ficou mais repuxada que a ponta esquerda. Iniciei o arremate apertado e terminei mais frouxo. Ao dobrar o xale pelo meio nota-se essa diferença de comprimento. Então da próxima vez, lembrar de arrematar frouxo.

trico em prosa - uma prenda delicada - Xale Geschenk

Essa receita é perfeita quando desejamos usar pequenas quantidades de fio porque ele é tecido de baixo para cima. Como o barrado é trabalhado primeiro, basta continuar até ter fio suficiente para arrematar.

Outra qualidade dessa receita é sua versatilidade, já que essa peça pode ser usada sobre os ombros como um xale ou estola, ou enrolada em volta do pescoço como um lenço ou cachecol.

Receita: Geschenk de Rosemary (Romi) Hill
Obs: a designer autorizou a tradução para português
Composição: 100% algodão
Fio: Pingouin Tropfil na cor 317 vermelho Soviet
Agulha: circular numeração 3,50mm de 1 metro de comprimento e arremate com 4mm

Veja esse projeto no Ravelry