como fazer o arremate surpreendentemente elástico da Jeny Staiman

Enquanto arrematava a gola do casaquinho de bebê que tricô em prosa - Como fazer o arremate surpreendentemente elástico da Jeny Staiman, passo por passoestou tecendo, pensava que aquela seria uma boa oportunidade para fotografar cada passo e escrever um tutorial bem detalhado.

Afinal, uma gola em barra 2×2 é perfeita para explicar o arremate surpreendentemente elástico da Jeny Staiman.

Divirta-se!

morango para aquecer

Esse é meu presente para a Ana Laura, uma bebezinha que logo logo vai descobrir nasceu na família mais amorosa que poderia existir.

Esse casaquinho faz conjunto com os sapatinhos de morango que terminei semana passada. Casaco e sapatinhos foram tricotados simultaneamente. Quando os sapatinhos entraram naquela fase dos adornos (flor e sementes) e tantos acabamentos, montei os pontos do casaco e levei na bolsa para tricotar em qualquer lugar.

blog tricô em prosa - Casaco Helena com receita traduzida para o português

É a segunda vez que eu tricoto essa receita e mais uma vez foi uma imensa alegria. É uma receita deliciosa de seguir.

Escolhi o tamanho três meses, mas acho que servirá a partir dos seis meses até um ano de idade.

Inicialmente eu queria tricotar o casaco todo em vermelho. O fio verde seria usado apenas para nas extremidades do casaco, ou seja, nas bainhas em picot das mangas e do corpo além da barra frontal e gola.

blog tricô em prosa - Casaco Helena com receita traduzida para o português

Mas o fio vermelho acabou na segunda repetição dos pontos rendados da saia, e eu nem tinha tecido as mangas. Como esse fio saiu de linha alguns anos atrás, estava cogitando desmanchar tudo, comprar outro fio e recomeçar. Então meu marido me deu a ideia de tecer a saia em verde.

Adorei o resultado!

blog tricô em prosa - Casaco Helena com receita traduzida para o português

A única modificação que fiz foi nas amarras, que trabalhei em i-cord e acrescentei uma pequena folha nas pontas, idêntica àquela que fiz nas amarras do sapatinho.

Bem, eu escrevi para a designer e ela prontamente permitiu que eu publicasse a tradução para o português de sua receita adorável.

Espero que a Ana Laura se sinta aquecida e confortável com esse conjuntinho tecido especialmente para ela.

Receita: Helena de Alison Green
Obs: A designer autorizou a tradução da receita
Fio: Pingoin Noblesse nas cores 353 (cereja) e 1642 (seiva)
Composição: 70% acrílico, 30% lã
Agulhas: circulares de numeração 3,50mm e 1 metro de comprimento

Veja esse casaco no Ravelry

como cultivar morangos

Sempre achei esses sapatinhos muito fofos e só estava esperando uma oportunidade para tricotá-los. Eles farão conjunto com um casaquinho que agora está em fase de acabamento.

Eles demandam muito acabamento, pelo menos para mim. São tricotados em várias pequenas etapas: primeiro tecer o sapatinho, os cordões de amarrar e as flores do morangueiro. Depois é necessário costurar as flores, bordar as sementes amarelas e embutir todos as pontas dos fios.

blog trico em prosa - como cultivar morangos - sapatinhos de morango da Pjusken

Procurando saber um pouco mais sobre os morangos, descobri que o que chamamos de sementes, de cor amarela, é que são os verdadeiros frutos do morangueiro. A polpa vermelha é apenas um receptáculo dos diversos frutos. Mas aqui vou chamar o amarelo de sementes e a polpa vermelha de morango, do jeito que conheço.

Para tricotar esses sapatinhos eu mesclei duas receitas, ambas grátis. Uma delas acabou sendo apenas a fonte de inspiração. Não usei essa receita porque ela requer costura (costurar me faz sofrer) e porque pede um fio bem mais fino do que o fio que eu queria usar. Então eu tive de procurar uma receita similar, sem costura e apropriada para fio na espessura do meu.

Por sorte encontrei a receita perfeita, tecida de cima para baixo, ou seja, do tornozelo para a sola, mas ainda assim eu fiz minhas modificações. A designer também elaborou outra versão dessa mesma receita tricotada da sola para cima. A talentosa Sandra Baroni, proprietária do TricôTricô, fez a tradução autorizada da versão tricotada da sola para cima e ainda recheou com links para vídeos instrutivos!

blog trico em prosa - como cultivar morangos - Sapatinhos de Morango da Pjusken

Na receita inspiração, montam-se 60 pontos, trabalha-se uma barra em poucas voltas e então os pontos são diminuídos para 44 pontos. Ou seja, são montados 30% de pontos a mais.

Fazendo a adaptação para a receita sem costura, eu montei 45 pontos com fio verde, trabalhei uma barra em poucas voltas e diminuí a quantidade de pontos para 36. A partir desse ponto eu segui a receita sem modificar nada, com exceção da costura da sola onde usei costura invisível (grafting) no lugar do arremate com três agulhas. Troquei para o fio vermelho uma volta depois dos furinhos para passar o cordão.

Depois que terminei, percebi que o dorso do sapatinho estava muito estreito e que as laterais curvavam-se para dentro, talvez porque os aumentos tivessem ficado muito tensionados.

blog trico em prosa - como cultivar morangos - Sapatinhos de Morango da Pjusken

Então desmanchei a parte vermelha do sapatinho para modificar o dorso.

Além de aumentar um ponto em cada lateral do dorso, não trabalhei os aumentos. Em vez disso, tricotei uma aba retangular para o dorso do sapatinho, passando um ponto sem fazer no início de cada carreira. Quando havia sete pontos passados sem fazer em cada lateral da aba, não virei o trabalho. Continuei levantando e trabalhando em meia torcido (pelo fio de trás) os setes pontos passados sem fazer e prossegui dando a volta pelo calcanhar até levantar e trabalhar em meia torcido os sete pontos passados sem fazer do outro lado da aba. Essa modificação aliviou a tensão, melhorou um pouco a aparência do sapatinho, mas ainda assim as laterais ficaram um pouco curvas.

Cordão de amarrar

Trabalhei os cordões de i-cord e contei as carreiras para assegurar que ambos ficariam com o mesmo comprimento. Na outra ponta do cordão teci uma folha, da seguinte maneira:
Carr.1: todos os pontos em meia
Carr.2-4-6-8-10: todos os pontos em tricô
Carr.3-5: meia até o ponto central, laç, 1m, laç, demais pontos em meia
Carr.7-9: mate simples, meia até últimos dois pontos, 2pjm
Carr.11: mate duplo

blog trico em prosa - como cultivar morangos - Sapatinhos de Morango da Pjusken

Flores do morangueiro

Eu sei que as flores que teci não ficaram nem um pouco parecidas com as verdadeiras flores de morangueiros, que possuem cinco pétalas. A receita traz instruções para tecer flores de morangueiro perfeitas em crochê, mas como eu não sei crochetar tive de improvisar uma flor de tricô.

O que fiz foi o seguinte:
Usando a montagem de Emily Ocker, montar nove pontos. Primeira volta: todos os pontos em meia. Segunda volta: *1m, laç*, repetir os pontos entre **. Terceira volta: arrematar todos os pontos. Puxar bem a ponta do fio onde os pontos foram montados para fechar o centro da flor.

blog trico em prosa - como cultivar morangos - Sapatinhos de Morango da Pjusken

Usando um fio laranja 100% algodão, improvisei o miolo da flor e bordei em ponto duplicado as sementes de morango no dorso do sapatinho.

Tricotar esses sapatinhos envolvem várias etapas e eles requerem mais acabamento, mas achei o resultado muito gracioso e satisfatório. Gostei muito de tricotá-los.

Receita: Pjusken’s Strawberry Booties de Hrönn Jónsdóttir
Fio: Pingouin Noblesse nas cores 353 (cereja), 1642 (seiva) e 002 (branco)
Composição: 70% acrílico e 30% lã
Agulhas: conjunto de 5 agulhas de pontas duplas número 3,50mm

Veja esse projeto no Ravelry

um manto de flores

A vó Ziquinha é um exemplo. Uma das coisas que mais admiro nela é a naturalidade com que ela acompanha as mudanças de comportamento das novas gerações. Para ela é natural que os costumes mudem. Ela não faz comentários saudosistas, não julga nem compara. Ela respeita e apoia as escolhas dos filhos e netos. Nos sentimos amados, acolhidos e respeitados. Sua companhia é um deleite. Vó, um dia ainda serei tão jovem quanto você!

tricô em prosa - um manto de flores: xale Echo Flower tecido em algodão mercerizado

Eu queria mesmo era cobrir minha vovó de flores! Então decidi tricotar um xale de presente para ela. Um xale vermelho, porque é amor, porque é calor, é meu bocado de flores e mais flores para abraçá-la.

no começo, flores

Escolhi essa receita porque ela foi inspirada no xale Laminaria da talentosa Elizabeth Freeman, do qual compartilha um ponto de flores típico dos xales estonianos.

Montei os pontos do xale em março e fiz questão de tecê-lo no meu tempo, sem estipular prazos e sem atropelos. Esse xale foi tricotado basicamente nos sábados, domingos e feriados. Claro que durante os dias de semana eu tricotei, mas pouco.

Repeti o gráfico de flores 13 vezes porque queria um xale de tamanho maior.

trico em prosa - um manto de flores - xale Echo Flower

Eu tricoto usando o método continental, segurando o fio com a mão esquerda, de modo que o fio sempre fica naturalmente esticado. Para realizar o ponto estrela de dois para nove e também o ponto estrela de três para nove, eu precisava me atentar em manter esse fio bem frouxo.

Recomendo atenção nas linhas 1, 2 e 3 do gráfico de flores. Algumas vezes ao realizar a linha dois do gráfico, no avesso do trabalho, deixei cair um dos nove laços do ponto estrela e todos os demais laços se desmancharam. Tive de desmanchar até aquele ponto na carreira anterior para refazer a estrela. O mesmo ocorre se algum ponto acima da estrela cair ao trabalhar a linha três, as pétalas viram um emaranhado de fios. Eu cometi esse erro na linha três duas vezes e tive de desmanchar até a linha um para refazê-la.

borda e barrado

Depois de concluir o gráfico das flores devemos primeiro tecer os gráficos da borda, que são três gráficos, e só então tecer o gráfico do barrado.

A novidade dos gráficos de borda é que neles temos de realizar os nupps. Escolhi fazer os nupps com nove voltas, e não sete. Com a ajuda desse vídeo aprendi a fazê-los com uma agulha de crochê. Fica bem mais fácil. Primeiro usei uma agulha de crochê de numeração 3,5mm. Entretanto, ficou bem mais confortável depois que a troquei por outra de numeração 2,5mm.

trico em prosa - um manto de flores - xale Echo Flower

Enquanto tecia a borda, surgiu uma oportunidade de visitar minha avó. Se conseguisse terminar o xale em dez dias eu poderia entregá-lo para ela. Naquela etapa, terminar em dez dias, tricotando apenas de noite, seria: a) terminar a borda, b) tecer o gráfico do barrado, c) embutir as pontas, d) bloquear, e) esperar secar. Não, impossível em dez noites. Isso foi um pouco desanimador. Durante a semana que antecedeu essa visita eu não toquei mais no pobre xale. Só voltei a tricotá-lo uma semana depois, quando surgiu uma oportunidade de visitar meus pais!

Armei-me de paciência ao tecer a primeira linha do gráfico do barrado. É a mais lenta de se trabalhar porque combina nupps com ponto estrela de dois para nove em cada repetição.

trico em prosa - um manto de flores - xale Echo Flower

Arrematar os pontos também levou muito tempo. Eu não arrematei com fio duplo, foi com fio simples mesmo. Na fotografia acima está o xale do jeito que saiu das agulhas, todo amassadinho.

banho e dos alfinetes

Engraçado como em nenhum momento, enquanto tricotava esse xale, achei que os pontos ficariam parecidos aos das dezenas de fotografias dessa receita que vi no Ravelry. Tudo seria resolvido no momento em que a peça fosse molhada e alfinetada bem esticadinha, eu pensava. Não foi o que aconteceu. Depois de bloqueado na sua forma final, eu ainda não reconhecia os pontos na minha frente.

trico em prosa - um manto de flores - xale Echo Flower

O que eu via era tão estranho que tive de analisar melhor aquela trama. Talvez os laços dos pontos estrela estivessem muito frouxos. Talvez não soube dar forma ao xale. Talvez seria apenas o cansaço, já era noite. Amanhã, mais descansada, bloquearia o xale novamente. No dia seguinte, antes de mergulhar a peça na água, joguei o xale sobre os ombros e fui olhar no espelho. Ali na minha frente, reconheci os pontos do xale, ali estavam os pontos que queria ver. Ufa!

Antes de bloqueá-lo em sua forma final, o xale media 88 centímetros de envergadura por 48 centímetros de altura. Suas dimensões cresceram para 122 centímetros de envergadura por 62 centímetros de altura.

Ele pesa 176 gramas. Foram quatro bolas de Coats Corrente Esterlina 5, sendo que usei muito pouco fio da quarta bola. O fio da terceira bola acabou quando faltava apenas três carreiras do gráfico do barrado mais o arremate para terminar.

Receita: Echo Flower Shawl de Jenny Johnson Johnen
Fio: Coats Corrente Esterlina 5 na cor 34, 4 bolas
Composição: 100% algodão
Agulhas: circular Addi Lace numeração 3,50mm de 1 metro de comprimento

Veja esse projeto no Ravelry